Prisão em Brasília reacende debate sobre falhas de segurança

Caso destaca falhas no monitoramento de segurança, após interrupção do acesso da Abin às imagens da Esplanada dos Ministérios

Prisão em Brasília reacende debate sobre falhas de segurança

Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

No último domingo, 29, a Polícia prendeu um homem suspeito de estar planejando ataques em Brasília, reabrindo o debate sobre a tragédia ocorrida em novembro, quando um atentado resultou na morte de um indivíduo em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Especialistas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmam que o incidente poderia ter sido prevenido se a agência ainda tivesse acesso contínuo às imagens da Esplanada dos Ministérios, acesso este que foi interrompido em julho deste ano pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

O ataque de novembro não contou com a vigilância que poderia ter sido fornecida por esse monitoramento. Na ocasião, explosões foram registradas nas proximidades do STF e da Câmara dos Deputados. O autor do ataque, Francisco Wanderley, havia divulgado ameaças nas redes sociais antes de armazenar explosivos em seu veículo e alugar um apartamento na região do Distrito Federal. Seu carro circulava pela capital há aproximadamente quatro meses.

Desde o final do governo Bolsonaro, em 2022, a Abin tinha acesso a imagens em alta resolução da Esplanada dos Ministérios, uma área crucial situada nas proximidades da Praça dos Três Poderes. A implementação desse sistema de monitoramento exigiu a aprovação dos ministérios envolvidos.

Entretanto, em julho de 2024, a ABDI, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, decidiu cancelar o convênio que permitia à Abin a visualização das imagens. Essa decisão gerou descontentamento entre os servidores da agência de inteligência. Atualmente, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, que assumiu o controle do acesso às imagens após o término do convênio com a Abin, está sob investigação no STF por supostas falhas na atuação durante os eventos golpistas ocorridos em 8 de janeiro. Vale lembrar que a alta cúpula da segurança pública do DF foi detida no ano passado devido a esses acontecimentos.

Os servidores da Abin sustentam que a continuidade do acesso às imagens poderia ter proporcionado ao governo as condições necessárias para evitar que Francisco Wanderley detonasse explosivos em frente ao STF. Antes de se dirigir à Praça dos Três Poderes, ele passou por um anexo da Câmara dos Deputados, situado adjacente à Esplanada.

A ABDI informou que vem realizando testes com câmeras de vigilância avançada na Esplanada desde 2022 e continuará com este projeto junto à Secretaria de Segurança Pública do DF após o cancelamento do convênio anterior. A Abin não forneceu resposta quando consultada sobre o assunto.

Edvaldo Barone

  • Publicado: 30/12/2024 13:50
  • Alterado: 30/12/2024 13:55
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão