Pressão 12 por 8 agora é pré-hipertensão, segundo nova diretriz

As novas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão 2025 redefinem diagnósticos e tratamentos, visando um controle mais eficaz da hipertensão no Brasil.

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Um novo marco na abordagem da hipertensão arterial no Brasil foi estabelecido com a publicação da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025. Elaborado em colaboração pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), o documento foi apresentado durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado na última quinta-feira (18).

As novas diretrizes não apenas ajustam os parâmetros para o diagnóstico, mas também revisam as metas de tratamento e introduzem ferramentas inovadoras para avaliação do risco cardiovascular. Entre as mudanças mais significativas está a reclassificação dos níveis de pressão arterial, onde valores entre 120-139 mmHg para pressão sistólica e/ou 80-89 mmHg para diastólica, anteriormente considerados normais limítrofes, agora são categorizados como pré-hipertensão.

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Essa nova classificação visa promover uma atenção médica mais proativa, permitindo que intervenções precoces sejam implementadas antes que a hipertensão se torne totalmente instalada. Os profissionais de saúde agora são incentivados a recomendar alterações no estilo de vida e, se necessário, iniciar terapias medicamentosas em pacientes que apresentam esses novos níveis de pressão arterial.

Diretrizes mais rigorosas

Além disso, as metas de tratamento sofreram uma revisão significativa. Anteriormente, um controle abaixo de 140/90 mmHg era considerado suficiente; a nova meta agora é inferior a 130/80 mmHg para todos os pacientes hipertensos, independentemente de fatores como idade ou comorbidades. Essa abordagem mais restritiva é fundamentada na evidência de que níveis mais baixos de pressão arterial podem diminuir significativamente o risco de complicações graves, incluindo infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Avaliação do risco cardiovascular

Pela primeira vez, a diretriz enfatiza a importância de avaliar o risco cardiovascular global dos pacientes. Para isso, foi integrado o escore PREVENT, uma ferramenta que estima a probabilidade de um evento cardiovascular em um período de dez anos. O cálculo considera fatores como obesidade, diabetes e histórico clínico relevante. Com essa nova metodologia, os médicos são encorajados a intensificar os cuidados para aqueles identificados em situações de alto risco.

Foco no Sistema Único de Saúde (SUS)

Uma inovação notável nesta diretriz é a inclusão de um capítulo dedicado exclusivamente ao Sistema Único de Saúde (SUS), reconhecendo que aproximadamente 75% dos pacientes hipertensos são atendidos pela rede pública. As recomendações foram adaptadas para atender às especificidades do SUS, priorizando medicamentos disponíveis na rede e propondo protocolos multiprofissionais para acompanhamento.

Esse enfoque visa fornecer um guia prático para os profissionais da saúde nas unidades básicas, contribuindo para a redução das desigualdades regionais e melhorando o controle da hipertensão no Brasil.

Saúde da Mulher em Foco

Outro aspecto inédito abordado na diretriz diz respeito à saúde da mulher, considerando fases em que elas podem ser mais vulneráveis à hipertensão. A diretriz sugere medidas específicas:

  • Anticoncepcionais: É recomendado monitorar a pressão arterial antes da prescrição e durante o uso contínuo.
  • Gestação: Medicamentos seguros devem ser priorizados para gestantes hipertensas.
  • Peri e pós-menopausa: Monitoramento mais rigoroso é sugerido nessas fases.
  • Histórico gestacional: Mulheres com histórico de hipertensão durante a gravidez devem receber acompanhamento prolongado devido ao aumento do risco cardiovascular futuro.

Recomendações gerais

A diretriz também reforça práticas recomendadas como mudanças no estilo de vida, incluindo perda de peso, redução do consumo de sal e aumento da ingestão de potássio. Em relação ao tratamento medicamentoso, sugere-se iniciar com uma combinação de dois fármacos em baixa dose.

A hipertensão é uma condição silenciosa que afeta cerca de 27,9% dos adultos brasileiros; no entanto, apenas um terço dessa população apresenta controle efetivo da doença. As novas classificações e protocolos têm potencial para elevar o número de brasileiros considerados em risco, desafiando tanto os profissionais da saúde quanto as políticas públicas a implementarem essas orientações na prática clínica diária.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 18/09/2025
  • Fonte: Sorria!,