Política à Brasileira: Entre Tarcísio, Trump e as Teorias do Cotidiano
Crônica ácida e irônica do espetáculo eleitoral: quem influencia quem, e quem ri por último?
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 22/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Eis o Brasil de 2026: Tarcísio de Freitas no papel de protagonista, Lula pendurando ironias em jornais gringos e Trump, do alto de sua franja, jogando achismos sobre o futuro do país. Tudo isso embalado por teorias da conspiração que fariam inveja a roteiristas de série B, enquanto o eleitorado se pergunta se está em um episódio perdido de “Game of Thrones” ou numa reprise ruim de “Vale Tudo”. Bem-vindos ao novo espetáculo nacional — onde o absurdo não é mais exceção, mas protagonista.
Antes que você termine o cafezinho, já entrego os fatos: Tarcísio salta dos trilhos paulistas para a passarela presidencial, Bolsonaro virou sinônimo de tornozeleira digital e o PT ensaia coreografia para não perder o palco. Lá de fora, Trump assopra teorias e ameaça interferir nas urnas brasileiras, como quem joga milho aos pombos na Praça dos Três Poderes. Enquanto isso, memes, fake news e alianças improváveis povoam os bastidores de uma eleição que promete mais reviravoltas que novela mexicana.
Trump na plateia — e no roteiro
Não bastasse a bagunça caseira, a política brasileira agora faz sessão internacional. Trump, esse penetra profissional de churrasco, resolveu aparecer de novo: fala em sanções, grita “caça às bruxas” e tenta puxar cordões como se fosse marionetista global. O problema é que a marionete nunca obedece de imediato — e o palco é Brasília, onde o fio sempre arrebenta do lado mais cômico.
É cena de novela com elenco improvisado. Enquanto aqui o povo tenta pagar o café com Pix, fugir do preço da gasolina e lembrar se pagou a fatura do cartão, lá vem Trump opinando como se fosse vizinho de condomínio. A diferença é que no condomínio, pelo menos, o síndico ainda responde grupo do app verdinho. Já na política, o gringo joga uma frase e simplesmente desaparece, deixando os brasileiros que se virem com a bagunça.
Agora, a teoria da conspiração que circulava no Telegram já tem nome novo: “Tarcísio Anonymous”. Parece piada pronta, mas é sério. Basta um boato para virar corrente, um meme para virar tese. Entre uma reunião de condomínio virtual e uma figurinha de bom dia, surge o medo de que a eleição de 2026 tenha mais gringos que BBB. E, como todo reality show, ninguém sabe quem vai apertar o botão de desistência primeiro.
O cotidiano segue: a dona Maria ainda enfrenta fila no posto de saúde, o seu José tenta entender por que o boleto do gás parece piada de mau gosto, e no meio disso tudo o noticiário anuncia que Trump “ameaça” o Brasil. No fundo, a plateia aqui sabe: ameaça mesmo é o preço do arroz e a conta de luz. Mas enquanto o prato de feijão aperta, a democracia continua servida como prato do dia — só que com molho de ironia importado.
Tarcísio, o protagonista inesperado
Com Bolsonaro desclassificado do jogo — e ostentando tornozeleira que já beira acessório fashion tech, quase combinando com relógio digital de camelô —, Tarcísio acabou promovido à categoria de sonho (ou pesadelo) do establishment. O ex-ministro técnico, que no passado inaugurava ponte como quem corta bolo em festa junina, agora desfila no palco principal, vestido de opositor.

Virou estrela do Centrão: apadrinhado por quem nunca perde a pulseira VIP do poder, surfa conforme a maré, recebendo elogios no café da manhã e críticas no jantar. Brasília é assim: a cada semana, Tarcísio é vendido como solução ou ameaça, dependendo de quem segura o microfone.
O roteiro não é só dele. É escrito a várias mãos: Tarcísio, Centrão, uns resquícios de bolsonarismo e muito suspense de bastidor. Lula, que já tomou vacina contra surpresas, comenta nos corredores: “esse é o homem do Centrão”. E como tomate em feira livre, as alianças mudam de preço a cada piscada — promoção de quarta-feira no mercado político.
Enquanto isso, o eleitor comum tenta acompanhar a novela. Na fila do banco, alguém comenta que Tarcísio é moderado; no grupo da família, ele já aparece em figurinha com capa de super-herói. No fim de semana, entre o churrasco e a cerveja, a dúvida permanece: será ele o protagonista de verdade ou só coadjuvante promovido por falta de elenco?
No Brasil, tudo pode ser e deixar de ser no próximo capítulo. O Centrão negocia, Bolsonaro reclama, Lula observa. E Tarcísio, silencioso, aprende a dança das cadeiras: quando a música parar, ou ele está sentado no Planalto, ou descobre que foi só figurante da temporada.
PT e a arte de remar contra a corrente
Do outro lado, o Partido dos Trabalhadores resolveu aposentar o modo zen em São Paulo. A fase do incenso acabou: agora é tiro, porrada e meme. Campanhas ácidas circulam no zap-zap, antes mesmo do “bom dia grupo” com café preto, e os comerciais de TV, que até já trocam a sutileza por indiretas tão discretas quanto carro de som em véspera de eleição. O objetivo é claro: fazer Tarcísio tropeçar antes de virar o Neymar da política — amado por uns, debochado por outros, e com a mesma tendência a cair no chão a cada esbarrão.
Nos bastidores, Haddad, Alckmin e Simone Tebet ensaiam como se fossem banda de apoio em festival de verão. Falta só escolher se tocam sertanejo universitário ou samba de raiz. Haddad, com olheiras de quem já foi candidato em todas as modalidades possíveis, segura o baixo. Tebet arrisca backing vocal e Alckmin, com sua cara de professor que nunca falta à aula, tenta puxar o ritmo no teclado. O problema é que a banda ainda não decidiu se toca em estádio lotado ou em boteco com três mesas.
O palanque está em construção: promete holofotes, discursos inflamados e talvez até um vice dançando conforme o ritmo. Mas, como em todo festival brasileiro, há risco de apagão no som e atraso de duas horas no início do show. Se Alckmin volta ao comando estadual ou vira coadjuvante de luxo, a plateia é quem decide — e essa plateia troca de opinião mais rápido do que o preço da cebola no mercado.
Enquanto isso, o eleitor comum só quer entender se vai sobrar algum ingresso que não custe meia-entrada de bolso rasgado. Na padaria, entre o pão na chapa e o café ralo, alguém comenta: “O PT voltou a bater forte.” No ônibus, um celular toca jingle de campanha misturado com áudio de grupo da família. O cotidiano, mais uma vez, serve de trilha sonora para uma política que insiste em se apresentar como espetáculo itinerante.
Lula, o diplomata sarcástico
Lula, longe de ser espectador, resolveu assumir o papel de editor internacional da novela brasileira. Troca o macacão sindical pelo terno sob medida e responde cartas no New York Times como quem rebate crítica de feijoada no sábado: firme, bem-humorado e com direito a cutucada. Às acusações gringas, reage como quem espanta mosca em boteco: um aceno rápido, uma frase de efeito e um sorriso sarcástico — “Não existe caça às bruxas, só respeito à Constituição de 88 e a necessidade de regular big tech para que a internet não vire playground de miliciano digital.”

Washington, sempre nostálgica da Guerra Fria e cheia de promessas de “resposta adequada”, observa. Lula, com ironia de botequim, deixa claro: negociar, sim; mas mexeu na receita da feijoada ou nas urnas eletrônicas, a conversa acaba. No pacote que oferece à plateia internacional, mistura multilateralismo com Pix, inclusão financeira com jeitinho brasileiro — tudo servido como prato feito de resistência democrática.
No café da manhã, enquanto a imprensa americana mastiga o discurso, Lula mastiga pão com manteiga e já pensa na próxima manchete. À tarde, entre reunião com chanceler e telefonema para europeu cansado de extrema-direita, solta uma frase digna de meme: “Se a democracia brasileira sobreviveu a PowerPoint de golpe, sobrevive também a crítica importada.” À noite, de volta ao Alvorada, encara o noticiário como quem assiste a série repetida na Netflix: já sabe o final, mas se diverte com os detalhes.
E é aí que o estilo se revela: Lula conduz a política externa como quem atravessa a feira de domingo. Cumprimenta o peixeiro, discute preço do tomate, dá risada com a banquinha de pastel e, no fim, ainda leva a sacola cheia de recados internacionais. Para ele, diplomacia não é só tapete vermelho e aperto de mão — é saber que a democracia, tal como a feijoada, precisa ser revirada de vez em quando para não grudar no fundo da panela.
Centrão e a coreografia do poder
Se Brasília fosse baile, o Centrão seria aquele tio que chega cedo pra comer coxinha, se oferece pra segurar a bolsa de todo mundo e ainda insiste em ser o último a apagar a luz do salão. Ontem dançou bolero com Lula, hoje ensaia um tango com Tarcísio, e amanhã, se for preciso, faz zumba na Praça dos Três Poderes. O importante é nunca perder o ritmo: cargo, verba e ar-condicionado são os passinhos básicos; o resto é improviso de novela das seis.
No meio da pista, deputados e senadores se revezam como par de festa junina: hoje dão braço ao governo, amanhã rodopiam com a oposição, e depois ainda aparecem no after pra negociar emenda. É a verdadeira dança das cadeiras — mas em vez de música parar, é o orçamento que toca, e quem senta primeiro garante ministério.
Enquanto isso, o eleitor assiste como quem observa casal discutindo na fila do caixa: não entende direito a briga, mas sabe que a conta vem pra ele. O Centrão samba no plenário, valsa nas comissões e até arrisca passinho de TikTok nas redes sociais, sempre pronto pra virar trend quando a maré vira.
E como todo bom dançarino de salão, o grupo nunca se cansa. Vai do axé ao sertanejo, do rock ao arrocha, sem preconceito de estilo. O Centrão é coreografia permanente: muda a música, muda o par, muda até o palco, mas nunca sai da festa. Porque no fim, Brasília pode trocar governo, pauta, ou até trilha sonora — mas sem o Centrão, a festa simplesmente não acontece.
Teorias da conspiração: exportação e remix tropical
Como não amar uma teoria da conspiração fresquinha? O QAnon, lá de fora, já fantasiou Trump como justiceiro infiltrado em seitas secretas. No Brasil, a versão local é mais criativa: mistura no zap-zap, pão de queijo recheado com desinformação. A amizade de Trump com Epstein vira plano para salvar a Amazônia — ou, pelo menos, garantir o churrasco de domingo.
Quando falta plausibilidade, sobra imaginação. Se Trump não entrega os tais arquivos secretos, a culpa é dos democratas, dos comunistas ou, no limite, do entregador de aplicativo. E a verdade, essa, some mais rápido que verba de emenda parlamentar. Enquanto isso, o povo acompanha entre memes e GIFs, esperando que algum personagem saiba governar — ou, se não der, que ao menos conte uma boa piada.
Pra quem ainda não foi iniciado nos mistérios do QAnon: trata-se de uma teoria com enredo digno de novela das nove, só que sem a menor obrigação com a verossimilhança. Segundo a trama, Trump não é só presidente — é um herói mascarado, lutando nas sombras contra uma liga de vilões formada por pedófilos satânicos de colarinho branco. Eles mandariam em tudo: governo, mercado e até na fila do pão. Empresários, políticos, jornalistas, todos no mesmo balaio. E tudo isso embalado numa trilha de WhatsApp, fake news e fé cega. Se fosse série de streaming, já teria sido cancelada por excesso de criatividade.
Se Brasília fosse baile, o Centrão seria aquele tio versátil que dança de um lado pro outro, sempre de olho na bandeja de salgadinhos. Chega cedo, distribui abraço, segura a bolsa alheia e, se precisar, encara até coreografia para não perder o cargo. O passo mais ensaiado por ali é sempre o da sobrevivência: verbinha no bolso, ar-condicionado ligado no máximo, e o resto é improviso digno de novela das seis.
No meio da pista, deputados e senadores trocam de par como quem troca de playlist no churrasco: hoje abraçam o governo, amanhã rodopiam com a oposição, e quando o som acaba já estão negociando uma emenda no after. É a dança das cadeiras versão Brasília: aqui, quem senta primeiro não perde ministério — só muda o DJ.
Reflexão Caseira: entre miados, bigode e tramóias no plenário
Ao final do ato, sobra a sensação de que o Brasil virou mistura de circo, novela e reality show. Tarcísio, Trump, Lula e centrão desfilam no picadeiro, trocando de máscara conforme a plateia exige. O roteiro? Sempre aberto, sempre pronto para o próximo escândalo ou virada de mesa.
As eleições de 2026 prometem alianças improváveis, discursos inflamados e aquela pitada internacional que só aumenta o surrealismo. No palco, políticos mudam de figurino sem perder o rebolado, e o eleitor, cansado, porém fascinado, assiste do sofá, torcendo por um lampejo de dignidade — ou ao menos por um meme novo para animar o grupo da família.
Enquanto isso, ficamos por aqui: entre ironias, fake news e conspirações tropicais embaladas no pão de queijo. No Brasil, a política é tão teimosa que, quando não dá certo, vira patrimônio imaterial da humanidade. E de tanto virar piada, acaba sobrando como herança para a próxima geração — que, sem pedir, já nasce com o ingresso garantido para a reprise.
Só de ser inundado por essa enxurrada de notícias, confesso — estou cansado. E talvez você também esteja. Acho que já tá na hora de fechar o laptop como quem encerra um espetáculo que nunca termina, e você, leitor, talvez faça o mesmo depois desta linha. Eu te convido, vou até à cozinha, monto um misto quente meio torto, sento na rede e deixo o celular de lado. Troco o jornal digital e os memes de plantão por um livro de papel, desses que não apitam, não notificam, só respiram com a gente.
E nesse breve intervalo, encontro você por aí, — alguém que também procura um pouco de paz entre as páginas, tentando se salvar da overdose de manchetes, combinado? A ansiedade me faz mal e para você, e até para meus gatos, que preferem a paz de um colo ao circo diário da República. Que ao menos, neste instante, escritor e leitor dividam o mesmo pacto: silenciar o ruído da paz e entre uma mordida onde o queijo escorre, abrir espaço para uma outra história.