Prefeitura de SP suspende rodízio de veículos após greve de ônibus

Prefeitura toma medida emergencial após paralisação surpresa travar a capital e gerar filas.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

Nesta terça-feira (9), a cidade de São Paulo viveu momentos de caos no trânsito e na mobilidade urbana. A Prefeitura determinou a suspensão imediata do rodízio municipal de veículos em resposta à greve de ônibus que teve início por volta das 17h. O movimento resultou em índices críticos de congestionamento, superando a marca de 1.000 km de lentidão, um dos piores cenários registrados no ano.

A paralisação pegou passageiros de surpresa no horário de pico. Os veículos passaram a transportar os usuários apenas até os terminais, recolhendo-se às garagens logo em seguida. A situação gerou aglomerações e frustração em pontos estratégicos, como os terminais Santo Amaro, Campo Limpo e Dom Pedro II.

Impactos no trânsito e custos ao passageiro

O reflexo da greve de ônibus foi sentido imediatamente no bolso do trabalhador e nas vias da cidade. Com a escassez de transporte coletivo, a demanda por corridas de aplicativo disparou, elevando os preços em até quatro vezes o valor habitual.

Simultaneamente, as chuvas que atingiram a capital agravaram a situação. Às 17h30, o monitoramento registrou 1.134 km de congestionamento, aproximando-se do recorde anual de 1.335 km, ocorrido em agosto. Além da greve de ônibus, o mau tempo contribuiu para travar as principais artérias da cidade.

Cido, morador de Artur Alvim na Zona Leste, registrou em vídeo a dificuldade da população, mostrando pontos de ônibus lotados e filas extensas de táxis, evidenciando o colapso momentâneo do sistema.

Motivos e impasse trabalhista

Segundo o Sindicato dos Motoristas, a razão central para a greve de ônibus é o descumprimento de acordos trabalhistas por parte das empresas. A categoria reivindica o pagamento do 13º salário e a regularização do vale-refeição durante o período de férias. Os trabalhadores afirmam que as tentativas de diálogo com as companhias não obtiveram êxito.

Em contrapartida, o SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano) declarou que as operadoras estão empenhadas em quitar as obrigações, mas solicitam prazos maiores, conforme a legislação. As empresas alegam estar em negociação com a Secretaria Municipal para regularizar contratos de concessão e assegurar o equilíbrio econômico do sistema.

Empresas paralisadas e resposta oficial

A lista de viações que aderiram à greve de ônibus é extensa, afetando diversas regiões. Entre as empresas que suspenderam operações estão:

  • Zona Norte e outras regiões: Sambaíba, Santa Brígida, Gato Preto.
  • Zona Sul e outras regiões: Viação Grajaú, Mobibrasil, Campo Belo, Gatusa, Via Sudeste.
  • Zona Leste e outras regiões: Express, Viação Metrópole, Ambiental, KBPX, Transppass, Transunião.

Operam normalmente apenas as garagens da Spencer, Norte Buss e Upbus.

Diante da greve de ônibus deflagrada sem aviso prévio, a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans registraram um boletim de ocorrência contra as concessionárias paralisadas. O prefeito Ricardo Nunes enfatizou que os repasses financeiros do município estão em dia e que a responsabilidade pelos pagamentos trabalhistas é exclusiva das empresas. A administração municipal reforçou sua solidariedade aos usuários afetados pela interrupção do serviço.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 09/12/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA