Estratégia do Clã Bolsonaro expõe racha no Centrão e pressiona Congresso

A candidatura de Flávio Bolsonaro altera alianças, expõe fragilidades no bloco governista e reacende o debate sobre Anistia em Brasília

Crédito: (Divulgação)

Nosso artigo saiu na frente ao apontar que a estratégia do clã Bolsonaro seria não apoiar nenhum nome do Centrão enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro estiver preso, pressionando o Congresso a pautar a Anistia Ampla, Geral e Irrestrita.

A indicação de Flávio Bolsonaro e o efeito imediato nas pesquisas

Senador Flávio Bolsonaro
(Lula Marques/Agência Brasil)

A previsão se confirmou quando Jair Bolsonaro indicou seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL), para disputar a Presidência da República. Acertamos novamente ao destacar que, caso o Centrão não aceitasse o nome de Flávio, restariam duas alternativas: pautar a Anistia ou seguir para a campanha presidencial, sendo forçados — no segundo turno — a se unir ao candidato bolsonarista.

Agora, com a primeira pesquisa divulgada após o anúncio da candidatura, o cenário reforça essa leitura. Segundo o Instituto Veritá, Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com Lula em um eventual segundo turno, com 49,6% contra 50,4% dos votos válidos. A reação negativa do sistema político — formado por Centrão e Faria Lima — não se refletiu no eleitorado.

É provável que nem o próprio clã Bolsonaro esperasse um desempenho tão alto de imediato. Porém, estratégia é assim: planeja-se, arrisca-se e, só depois, ajustam-se as rotas.

Racha interno e contradições expostas

A tática colocada em campo, além de arriscada, revelou informações valiosas para o núcleo bolsonarista, para a imprensa, para adversários e principalmente para o eleitor.

Em poucos dias, foram expostos políticos que, diante das câmeras, defendiam a Anistia, mas, nos bastidores, trabalhavam pela PL da Dosimetria, que mantém Jair Bolsonaro fora da disputa. Caciques como Ciro Nogueira (PP) foram desmascarados: enquanto afirmava publicamente que Bolsonaro seria o responsável por “ungir” o candidato da direita, mudou o discurso após a indicação não contemplar o nome apoiado pelo establishment, alegando que a decisão deveria ser debatida com todos os partidos.

Julgamento do Bolsonaro no STF - Luiz Fux - Alexandre de Moraes
(Gustavo Moreno/STF)

Além disso, a indicação de Flávio desmonta parte dos esforços do STF para retirar Jair Bolsonaro do jogo eleitoral. Para completar, Eduardo Bolsonaro permanece fora do Brasil, afirmando temer ser detido ao retornar ao país.

Cenário para 2026 e dilemas do Centrão

Quando tudo apontava para um candidato do tripé Centrão–Faria Lima–Kassab, surge mais um Bolsonaro como opção viável para as urnas.

Agora, restam perguntas: Como o Centro vai lidar com um Bolsonaro competitivo? Vai pagar o preço político e apoiar a Anistia? Ou tentará sustentar apenas a Dosimetria para atender ao establishment?

Paulinho da Força, pressionado a agradar mais ao STF do que à Faria Lima, deve colocar em votação a Dosimetria. Se a Anistia for incluída no texto, poderá alegar que “não teve nada a ver com isso”, pois já teria entregue seu “pedágio” ao Supremo.

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Márcio Prado

Márcio Prado - Peninha - Ribeirão Pires
Peninha (Divulgação)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 09/12/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA