Poluição no mar de Santos: descaso ou má vontade?

O descarte irregular de todo tipo de lixo no mar de Santos no último domingo (15/02) gerou reclamações de moradores da cidade.

Crédito: Via ChatGPT

A galera ficou bem incomodada quando a Cetesb soltou o veredito no final do ano passado: mar impróprio em Santos e em boa parte do litoral. Para nós, santistas “013” de raiz, zero surpresa. Mas os turistas que descem a serra ou vêm do interior ficaram incrédulos. No auge do calor, o cardápio de opções era magro: ou encarava o mar “batizado” e assumia o risco de uma virose de brinde, ou se rendia à piscina do clube.

Fato é que o santista começou a se queixar — e a gente sabe que todo bom caiçara ama uma reclamação. Desta vez, o alvo não foi a falta de sincronia dos semáforos (que, aliás, merece um capítulo à parte em outro dia). O mar de Santos foi o “vilão” das rodas de conversa no último domingo.

Tesouros que nem o Capitão Jack Sparrow gostaria de achar

Enquanto passeava pela faixa de areia ali pelos lados da Ponta da Praia na manhã do último domingo (15/02), entre o Canal 6 e o 7, ganhei de presente de aniversário um cenário desolador. Tive o desprazer de ver um mar lotado de latas de cerveja, refrigerante, garrafas, embalagens de todo tipo e manchas de óleo.

Olha, se o Jack Sparrow, de Piratas do Caribe, passasse por ali, ele não acharia ouro nem prata; o tesouro estaria devidamente enrolado em sacos plásticos e descartes de marmitex que tanto turistas quanto moradores insistem em “esquecer” na areia. A Pérola Negra não navegava, ela encalhava no entulho que flutua no nosso mar.

O inimigo invisível: Por que a Cetesb diz “não”?

Gritar para a população não sujar a praia não é chatice de morador; é uma questão de saúde pública. Quando o mar recebe o selo de “impróprio”, não é apenas pelo lixo visual que eu vi no Canal 6. O problema mora no que a gente não vê:

  • Esgoto e Drenagem: Em dias de chuva forte, o sistema de drenagem da cidade (os nossos canais) acaba levando muita carga orgânica e resíduos das ruas direto para as águas.
  • Bactérias Oportunistas: Nadar nessas condições é abrir a porta para infecções de pele, conjuntivites severas e o clássico combo de problemas gastrointestinais.
  • A “Herança” do Porto: Por sermos uma cidade portuária, o monitoramento precisa ser constante devido ao tráfego de navios e resíduos industriais que, às vezes, escapam ao controle.

O custo da falta de consciência

Se as pessoas não se conscientizarem agora, o próximo passo talvez fosse o mais drástico: proibir a entrada na faixa de areia com qualquer objeto que possa virar lixo. É radical? Talvez. Mas o que quebra a experiência de um banho de mar não é a fiscalização, é ter que desviar de uma fralda descartável enquanto tenta aproveitar a água.

Entendam: não somos ruins ou “fechados”. Apenas preservamos o que é nosso. Afinal, depois que a turma sobe a serra no domingo à noite, quem fica aqui convivendo com o mar cinza e os detritos boiando somos nós. Respeitar Santos é o mínimo para quem quer continuar aproveitando o nosso litoral.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 16/02/2026
  • Fonte: Motisuki PR