Policial que matou jovem já havia sido reprovado em exame psicológico

Vinicius de Lima Britto protagonizou um incidente trágico ao disparar contra um jovem negro pelas costas

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No dia 3 de novembro, em frente a um estabelecimento comercial na Zona Sul de São Paulo, o policial militar Vinicius de Lima Britto protagonizou um incidente trágico ao disparar contra um jovem negro pelas costas. Este episódio tem gerado ampla repercussão, não apenas pelo ato em si, mas também por revelações acerca do histórico profissional de Vinicius.

Em 2021, durante sua primeira tentativa de ingresso na Polícia Militar, Vinicius foi considerado inapto no exame psicológico do concurso, apresentando deficiências em áreas cruciais como relacionamento interpessoal, capacidade de liderança e controle emocional. Tais critérios são fundamentais para o exercício das funções policiais, conforme estipulado nas seis etapas do processo seletivo para Soldado PM de 2ª Classe. O exame psicológico, que é eliminatório, visa assegurar que os candidatos tenham o perfil adequado para enfrentar as adversidades inerentes à profissão.

Após ser desclassificado, Vinicius recorreu judicialmente contra a decisão da Fazenda Pública de São Paulo. Seu advogado argumentou sobre a subjetividade dos critérios utilizados na avaliação psicológica e pleiteou tanto uma nova avaliação quanto uma indenização por danos morais. Contudo, a juíza Lais Helena Bresser Lang rejeitou o pedido, sustentando que a exclusão se baseou em uma análise técnica competente que apontava comportamentos inadequados para a função policial.

Apesar da reprovação inicial, Vinicius foi aprovado em um novo concurso em novembro de 2022. A Secretaria da Segurança Pública ainda não se pronunciou sobre como ele conseguiu tal aprovação após seu histórico anterior.

Além do caso recente na Zona Sul, Vinicius está sob investigação por outro incidente fatal ocorrido em São Vicente. Em dezembro de 2023, ele e um colega policial reagiram a uma tentativa de assalto com disparos letais contra os supostos agressores. Na ocasião, Vinicius alegou legítima defesa.

O assassinato de Gabriel Renan da Silva Soares captado por câmeras de segurança trouxe novamente à tona questionamentos sobre as ações de Vinicius. O vídeo mostra Gabriel furtando produtos de limpeza antes de ser alvejado pelo policial. Em depoimento, Vinicius afirmou ter agido em legítima defesa, alegando que Gabriel estava armado; no entanto, as imagens não corroboram sua versão.

Este caso reacendeu o debate sobre o uso da força pela polícia e destacou preocupações sobre os procedimentos de seleção e formação dos agentes de segurança pública no Brasil. As consequências destes eventos refletem-se tanto no aumento das tensões sociais quanto nas estatísticas que indicam uma crescente letalidade nas ações policiais no estado de São Paulo sob a atual gestão governamental.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 04/12/2024
  • Fonte: FERVER