Desaprovação do governo Lula atinge 90% entre agentes financeiros, aponta pesquisa
Pacote fiscal é apontado como principal causa do pessimismo econômico, diz Quaest
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 04/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo mercado financeiro registrou uma significativa piora, conforme dados de uma recente pesquisa realizada pela Quaest, divulgada nesta quarta-feira (4). A reprovação dos agentes financeiros atingiu 90%, um aumento expressivo em comparação com os 26% registrados no levantamento anterior, conduzido em março deste ano.
A pesquisa, que ouviu 105 gestores, economistas e analistas de fundos de investimento localizados em São Paulo e no Rio de Janeiro, foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada entre 29 de novembro e 3 de dezembro. O estudo possui uma margem de erro de 3,4 pontos percentuais para mais ou para menos.
Entre os entrevistados, apenas 3% avaliaram positivamente o governo Lula, enquanto 7% classificaram a gestão como regular. Esses números representam uma queda em relação a março, quando 6% consideravam o governo positivo e 30% regular.
De acordo com Felipe Nunes, diretor da Quaest, a crescente desaprovação pode ser atribuída à resposta do mercado ao recente pacote de corte de gastos proposto pelo governo. Ele destaca que 86% dos entrevistados acreditam que Lula está mais preocupado com sua popularidade do que com o equilíbrio das contas públicas, prioridade esta última percebida por apenas 29%.
No que diz respeito ao Congresso Nacional, a percepção também piorou. Nunes sugere que a expectativa do mercado quanto à aprovação da isenção do imposto de renda para rendas até R$ 5 mil, sem o correspondente aumento na tributação para salários acima de R$ 50 mil, alimenta essa visão negativa. Segundo ele, o Congresso deixou de ser visto como um ator fiscalista.
Em relação ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a pesquisa indica que 41% dos entrevistados avaliam seu desempenho positivamente, uma redução em comparação aos 50% em março. Por outro lado, a desaprovação aumentou para 24%, frente aos anteriores 12%. A percepção sobre a influência de Haddad também mudou: 61% consideram que sua força diminuiu desde o início do mandato.
Quanto ao pacote fiscal apresentado pelo governo, 58% dos participantes consideraram-no insatisfatório e outros 42%, pouco satisfatório. Após o anúncio do pacote, 67% dos entrevistados planejam aumentar seus investimentos no exterior.
O novo arcabouço fiscal adotado pelo governo também enfrenta ceticismo: para 58%, ele não possui credibilidade alguma, enquanto 42% veem pouca credibilidade na proposta. A maioria acredita que esse modelo não se sustentará a longo prazo.
Por fim, as expectativas sobre a economia brasileira são pessimistas. Para o ano de 2025, 88% dos agentes preveem um cenário econômico deteriorado. Em relação à política econômica atual, 96% consideram que o país está trilhando um caminho errado. Além disso, mais da metade dos entrevistados espera um aumento na taxa básica de juros nos próximos períodos.
Esta pesquisa revela um panorama desafiador para o governo Lula junto aos agentes financeiros e evidencia a necessidade de ações concretas para restaurar a confiança econômica e política no país.