Polícia estoura bunker com bloqueador de sinal de celular

A Polícia Civil descobriu um imóvel que utilizava um bloqueador de sinal para impedir o rastreamento de celulares roubados.

Crédito: Governo de São Paulo/Divulgação

A Polícia Civil do Estado de São Paulo desarticulou uma sofisticada estrutura tecnológica utilizada por uma quadrilha de receptação de celulares roubados e furtados. Na última quarta-feira (10), agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) deflagraram a Operação Contrafeixe, cumprindo 19 mandados de busca e apreensão na capital paulista. A ação resultou na prisão de um suspeito e colocou outras oito pessoas sob investigação.

O principal alvo da operação foi um imóvel projetado especificamente para burlar o rastreamento policial. A base contava com um sistema de isolamento eletromagnético e bloqueadores de sinal de telecomunicação de alta potência, conhecidos como jammers. Esses aparelhos eram tão fortes que derrubavam o sinal de internet e telefonia móvel de residências vizinhas, impedindo que as vítimas ou as forças de segurança localizassem os dispositivos via GPS.

A Rota do Crime: Do Quebra-Vidro ao Golpe Bancário

Polícia Civil SP prende suspeitos de integrar de tribunal do crime. fraude
Divulgação

Segundo as investigações conduzidas pela Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disccpat), a estrutura logística servia para escoar os roubos cometidos pelas conhecidas quadrilhas do “quebra-vidro” e da “gangue da bike”, criminosos que atacam motoristas em congestionamentos ou pedestres na região central.

O esquema funcionava como uma verdadeira cadeia industrial dividida em etapas bem definidas:

  • Abordagem e Furto: Criminosos de bicicleta ou a pé quebravam vidros de carros e tomavam celulares de motoristas ou motociclistas.
  • Isolamento e Triagem: Os aparelhos eram levados imediatamente para o “bunker” tecnológico para cortar qualquer comunicação externa.
  • Classificação e Destino: No local, os dispositivos passavam por uma triagem. Os celulares que os criminosos conseguiam desbloquear ganhavam maior valor de mercado, pois permitiam o acesso imediato a aplicativos financeiros e a realização de fraudes bancárias. O restante era formatado e preparado para revenda no mercado clandestino.

No imóvel blindado contra sinais, os policiais civis apreenderam 182 celulares e dezenas de objetos de valor, incluindo 42 alianças de ouro roubadas das vítimas. O prejuízo estimado para a organização criminosa gira em torno de R$ 500 mil.

Histórico de Combate às Centrais de Desbloqueio

A Operação Contrafeixe é um desdobramento das ações intensificadas na região central da capital paulista. Em maio deste ano, a Operação IMEI Rastreado, coordenada pelo 3º Distrito Policial (Campos Elíseos), já havia prendido um dos chefes da “gangue das bikes” em um prédio de nove andares que operava como uma central de receptação similar.

A polícia agora trabalha no cruzamento de dados e na verificação do código IMEI dos 182 aparelhos recuperados para identificar os proprietários originais e prender novos integrantes da rede de receptadores nos próximos dias.

  • Publicado: 11/06/2026 16:20
  • Alterado: 11/06/2026 16:20
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Agência SP