PMEs: Faturamento real volta a crescer no 3º trimestre
Índice IODE-PMEs registra alta de 1,9% (YoY). Indústria puxa a retomada, mas Comércio segue em queda.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 19/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O faturamento real médio das PMEs (Pequenas e Médias Empresas) brasileiras registrou um crescimento de 1,9% no terceiro trimestre de 2025, na comparação anual (YoY). O dado, revelado pelo Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), reverte o cenário de estagnação observado no primeiro semestre deste ano.
Apesar da melhora, o resultado indica um ritmo de recuperação ainda moderado, inferior ao desempenho visto entre 2022 e 2024. A performance das PMEs continua sendo limitada por fatores como a desaceleração da economia, a manutenção da taxa Selic em patamares elevados (15% ao ano) e as condições restritivas de crédito.
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Indústria lidera alta, mas setores dependentes de crédito caem
A recuperação do faturamento das PMEs não foi uniforme entre os setores. A Indústria foi o grande destaque, apresentando um crescimento robusto de 7,9% (YoY). Esse avanço foi impulsionado por subsetores como fabricação de papel, bebidas, alimentos e produtos de madeira. O setor de Serviços também mostrou desempenho positivo, com avanço de 1,3% (YoY).
Por outro lado, dois setores importantes mantiveram a tendência de retração: Comércio ( -2,4% YoY) e Infraestrutura ( -4,8% YoY). Estes segmentos foram impactados, respectivamente, pela demanda reprimida por crédito e pela desaceleração no ritmo da construção civil.
“O crescimento das PMEs no terceiro trimestre mostra uma recuperação gradual, mas desigual. Enquanto a indústria dá sinais consistentes de retomada, atividades mais dependentes de crédito, como o comércio, ainda enfrentam desafios relevantes”, avalia Felipe Beraldi, economista da Omie.

Cenário macroeconômico: Juros altos x Inflação em queda
O comportamento recente das PMEs está ligado a fatores macroeconômicos contrastantes. Se por um lado a política monetária restritiva freia o consumo e o investimento, por outro houve um alívio significativo nos custos.
Segundo a FGV, o IGP-M acumulado em 12 meses caiu de 8,58% no primeiro trimestre para 2,82% no terceiro trimestre. Além disso, a resiliência do mercado de trabalho e a elevação dos rendimentos reais (+8,7% em agosto frente à média de 2019) ajudaram a sustentar a demanda, especialmente em serviços.
Regionalmente, o Sudeste (+1,9% YoY) voltou ao campo positivo, e o Sul manteve um crescimento consistente (+4,1% YoY).
Perspectivas para 2026 e o desafio da Reforma Tributária
Para os próximos trimestres, a Omie mantém uma projeção de alta de 0,8% para o IODE-PMEs em 2025 e prevê uma expansão de 1,9% em 2026, acompanhando a desaceleração esperada do PIB nacional.
“A expectativa é de um 2026 marcado por crescimento mais lento e dependente da renda. A manutenção dos juros em níveis altos e as incertezas fiscais e eleitorais impõem um cenário de cautela, mas o setor deve seguir em terreno positivo”, explica Beraldi.
O início da transição da Reforma Tributária em 2026 deve trazer desafios adicionais. Pesquisas recentes da Omie indicam que cerca de 60% dos empresários brasileiros ainda não sabem avaliar os efeitos da reforma sobre seus próprios negócios.
“As PMEs precisarão reforçar sua gestão e manter proximidade com seus contadores. A transição tributária exigirá planejamento financeiro e capacidade de adaptação às novas obrigações”, conclui o economista.