O plano de segurança que ameaça a Escola Estadual de São Paulo
Plano Nunes mira a mais antiga Escola Estadual de São Paulo para base da GCM; investimento em vigilância triplica na cidade
- Publicado: 05/02/2026
- Alterado: 14/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sesc Santo André
A Escola Estadual de São Paulo, fundada em 1894 e reconhecida como a mais antiga do estado, encontra-se no centro de uma disputa de bastidores com o futuro de seu centenário imóvel em jogo. A administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) iniciou um processo de solicitação interna para obter a cessão do prédio, que é de propriedade do município, com a intenção de transformá-lo em uma nova base operacional da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Documentos confirmam que o comando da GCM manifestou oficialmente seu interesse na área onde está localizada a escola centenária, no Brás, centro da capital paulista. A cessão do imóvel está sendo solicitada em regime gratuito pela prefeitura.
Atualmente, a instituição é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação e abriga cerca de 120 alunos. No entanto, a estrutura física do edifício apresenta sérios problemas de deterioração, e parte dele já foi interditada pela Defesa Civil.
O impasse da escola e o recuo do governo Tarcísio

O interesse da prefeitura surge após o anúncio de fechamento da escola pela administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no final do ano anterior. O fechamento gerou descontentamento entre a comunidade escolar. Embora o governo estadual tenha realizado obras de restauração em 2019, que incluíram a substituição do piso de porcelanato nas salas de aula e outras melhorias na estrutura, a decisão de encerrar as atividades persistiu.
Diante da reação contrária, o governo Tarcísio decidiu adiar o fechamento para 2026. O Secretário de Educação, Renato Feder, garantiu em dezembro de 2024 que a unidade não encerraria as atividades no próximo ano letivo, confirmando o diálogo com o município: “A escola não será fechada no próximo ano. A prefeitura manifestou interesse no prédio, mas conseguimos dialogar e alterar essa decisão. A Escola São Paulo voltará a funcionar em 2025″.
Em resposta aos questionamentos, a Secretaria Estadual de Educação declarou que não recebeu qualquer notificação formal da prefeitura sobre a desocupação do prédio e assegurou que as aulas continuarão a ser realizadas no local durante o próximo ano. A prefeitura, por sua vez, mantém o discurso de que “não haverá nenhuma definição sobre a destinação do prédio mencionado até sua devolução ao município”.
Investimento em Segurança: O motor por trás da mudança

O plano de transformar a Escola Estadual de São Paulo em uma base de segurança está diretamente ligado à prioridade da gestão Nunes em investir significativamente em segurança pública. Desde o início de seu segundo mandato, o prefeito tem focado em ações voltadas para esta área, com destaque para o programa municipal de videomonitoramento.
Os números do orçamento revelam a dimensão deste foco: para 2026, está prevista uma alocação de R$ 240,6 milhões para a manutenção e operação do sistema de câmeras. Este valor representa um aumento de mais de 430% em relação ao montante reservado no presente ano para o mesmo fim, que foi de R$ 45,2 milhões.
O prédio da escola, situado nas proximidades do Parque Dom Pedro II, está em uma localização estratégica, alvo de um grande projeto de revitalização. Essa área será transformada por uma Parceria Público-Privada (PPP), que está em fase de licitação e possui um orçamento estimado em R$ 2,19 bilhões. As intervenções incluem a modernização do terminal Parque Dom Pedro II, sua ampliação e conexão com a estação Pedro II do metrô, o Expresso Tiradentes e o futuro BRT da Radial Leste. Está prevista ainda a ligação com o Bonde São Paulo, projeto que inclui um VLT (veículo leve sobre trilhos) no centro e será submetido à consulta pública. A presença da GCM em um ponto central como a Escola Estadual de São Paulo pode ser crucial para a segurança do novo complexo.
O legado da mais antiga escola estadual de São Paulo

Originalmente denominada Gymnasio do Estado de São Paulo em 1894, a escola formou, por muitos anos, filhos da elite paulistana.
Entre seus ex-alunos notáveis, destacam-se figuras públicas e culturais como Cásper Líbero, Paulo Setúbal, Orígenes Lessa e Francisco Cuoco.
A unidade possui um projeto arquitetônico notável, sendo objeto de estudo por estudantes de diversas universidades brasileiras. Seu campus, cercado por grandes árvores e integrado aos viadutos adjacentes, é marcado por edifícios inspirados nos pavilhões e na oca do Parque Ibirapuera.