PL pressiona por votação de anistia a réus do 8 de Janeiro e ameaça rompimento com presidente da Câmara
O eventual rompimento poderá impactar diretamente na distribuição de emendas de comissão, recursos parlamentares importantes que são divididos entre os partidos conforme acordos internos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 23/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, afirmou nesta quarta-feira (23) que o partido pode romper politicamente com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), caso não seja pautada a votação de urgência do projeto que prevê anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Proposta ignora comissões e vai direto ao plenário
A proposta de anistia foi protocolada com pedido de urgência no último dia 14, e, se aceito, poderá ser analisado diretamente pelo plenário da Câmara, sem passar pelas comissões temáticas. A decisão sobre colocar ou não o pedido de urgência na pauta cabe exclusivamente ao presidente da Câmara. Segundo Sóstenes, a demora em pautar o projeto pode ser interpretada como uma quebra de confiança por parte de Motta.
“O limite está estabelecido: se a urgência não for pautada amanhã, consideraremos rompido o acordo”, declarou o líder do PL. A questão será debatida em reunião de líderes partidários nesta quinta-feira (24), mas parlamentares do centrão já demonstraram preocupação com a complexidade do projeto, defendendo uma discussão mais ampla antes da votação.
Consequências políticas e orçamentárias do possível rompimento
O eventual rompimento poderá impactar diretamente na distribuição de emendas de comissão, recursos parlamentares importantes que são divididos entre os partidos conforme acordos internos. Segundo Sóstenes, o PL, que comanda comissões estratégicas como Saúde, Turismo, Agricultura, Relações Exteriores e Segurança Pública, pode rever a repartição dos valores caso o presidente da Câmara não cumpra o combinado.
“Se ele não respeitar o acordo, não seremos obrigados a manter os termos vigentes”, afirmou Sóstenes, destacando que o PL não deseja romper, mas espera reciprocidade.
O pronunciamento ocorreu durante o lançamento de um livro do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, em Brasília. O evento reuniu diversas autoridades, incluindo ministros do governo federal e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso.