PF: Veja lista de monitorados pela Abin Paralela
Relatório da Polícia Federal revela uso indevido da Abin para monitorar ilegalmente autoridades. Mais de 30 indiciados, incluindo Carlos Bolsonaro e Alexandre Ramagem.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 19/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Um novo relatório da Polícia Federal (PF) revelou o uso indevido de recursos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar ilegalmente diversas autoridades e personalidades. Entre os indiciados estão o vereador Carlos Bolsonaro, o ex-diretor da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem, ambos do PL, além do atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa.
Sigilo Retirado
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu retirar o sigilo do documento nesta quarta-feira (18), que aponta mais de 30 indiciados. Segundo a investigação, a Abin foi utilizada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro com objetivos políticos e pessoais, num esquema que ficou conhecido como “Abin paralela“.
Uso de Tecnologia Mira Alvos na Vigilância
As técnicas de espionagem reveladas no relatório incluem o uso de um software israelense chamado “First Mile”, desenvolvido pela empresa Cognyte. Essa tecnologia foi adquirida pelo governo brasileiro e permitia o rastreamento clandestino da localização de celulares pertencentes a servidores públicos, políticos, advogados e jornalistas.
A PF atribui a Ramagem a coordenação do uso desse programa para vigiar adversários políticos e críticos ao governo. O esquema tinha como finalidade favorecer o ex-presidente Bolsonaro, com pedidos diretos de Ramagem para coletar informações comprometedores sobre figuras como Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara, e Joice Hasselmann, uma ex-aliada que se tornou crítica do governo.
Além disso, o inquérito revela que outras autoridades foram alvo de dossiês elaborados pela Abin, incluindo ministros do STF e deputados federais. Os pedidos de monitoramento partiram diretamente da presidência da República, evidenciando um viés político nas ações clandestinas da agência.
Marielle Franco
O caso se estende ainda ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco em 2018. A Abin teria sido utilizada para monitorar a investigação sobre seu homicídio. Quando houve uma troca no delegado responsável pelo caso em 2020, Ramagem solicitou um dossiê sobre o novo delegado designado.
Outras situações envolvendo o uso indevido da Abin incluem investigações relacionadas ao ataque contra Jair Bolsonaro em 2018 e vigilâncias sobre personalidades públicas críticas ao governo. O ex-deputado Jean Wyllys e o humorista Gregório Duvivier também foram alvos de tentativas de monitoramento.
A ação dos agentes da Abin não se limitou apenas a figuras políticas; jornalistas investigativos também foram vigiados. A PF indicou que as operações estavam focadas em identificar movimentos contra o governo e expor práticas de desinformação.
Esses fatos levantam sérias preocupações sobre a ética e a legalidade das ações empreendidas por órgãos governamentais em nome de interesses políticos. O inquérito continua em andamento enquanto as investigações se aprofundam na busca por responsabilização dos envolvidos.
A PF também aponta que foram alvo de “dossiês” da Abin:
- Alexandre de Moraes, ministro do STF;
- Joice Hasselmann
- Luís Roberto Barroso, presidente do STF;
- deputado Kim Kataguiri (União-SP);
- deputado Arthur Lira (PP-AL);
- senador Renan Calheiros (MDB-AL);
- senador Omar Aziz (PSD-AM);
- senador Randolfe Rodrigues (PT-AP);
- jornalistas Vera Magalhães, Luiza Bandeira, Pedro Batista, Reinaldo Azevedo e Alice Martins de Costa Maciel