Pessoas com deficiência também investem em idiomas
Profissionais ou estudantes em busca de oportunidade de trabalho procuram ajuda para construir uma carreira, apesar das dificuldades impostas pela deficiência. A metodologia do CELLEP permite adaptações
- Publicado: 14/03/2013 12:22
- Alterado: 14/03/2013 12:22
- Autor: Redação
- Fonte: MultiLetras
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Sair do Ensino Médio e começar a construir uma carreira. É
esse o caminho natural da maioria dos jovens brasileiros. A lei de contratação
de Deficientes nas Empresas estipula uma cota de dois a cinco por cento de seus
cargos a beneficiários reabilitados, ou pessoas com deficiência, no caso de
empresas com mais de cem funcionários. Assim, o investimento na
profissionalização é também parte da vida dessa parcela da população.
É o caso de Felipe Silva, estudante de inglês no CELLEP.
Formado em Administração de Empresas, Felipe teve um problema de saúde que
comprometeu gravemente sua visão. Com as aulas, ele busca fluência no idioma
para alavancar sua carreira e poder acompanhar filmes e músicas internacionais.
Desde que começou a estudar, foram horas de dedicação, com
disciplina e ajuda do coordenador Valdir Caetano e outros professores da
filial. “O ganho que tive nesses meses foi ótimo e o Valdir me ajuda muito,
sempre adaptando todo o material didático para que eu possa ouvir e depois
praticar sozinho”, explica.
O trabalho do coordenador é realizado antes da aula começar.
Primeiro, ele explica previamente quais serão os conteúdos vistos em sala para
depois digitar no computador do aluno – que tem um software especial,
desenvolvido para leitura – todas as lições e explicações presentes no
livro. ” Desde o começo, deixamos claro
ao Felipe que o curso não era voltado a alunos com deficiência visual, mas
faríamos adaptações”, conta Valdir.
Para quem quer investir na carreira em outro país, a opção é
pelos cursos superintensivos do CELLEP. Aos 33 anos, o aluno Ricardo Costa
matriculou-se na escola com o objetivo de mudar-se para Orlando com a esposa e
os dois filhos. Há dois anos, Ricardo sofreu uma lesão na medula em um acidente
e ficou paraplégico.
“Comecei o inglês há
10 anos. Cheguei a estudar por cinco anos, mas eu começava e logo parava.
Estudava por necessidade, já que na época me preparava para ser piloto de
avião. Hoje minha relação com o idioma é outra. Quero me tornar fluente para
buscar novos tratamentos e qualidade de vida nos Estados Unidos”, conta.
O outro lado da moeda
Em busca de profissionais para a rede, que conta com 17
escolas no Estado de São Paulo, o CELLEP pretende contratar até o final do ano
20 pessoas com deficiência. Atualmente, o quadro de funcionários conta com um
auxiliar de secretaria e um no departamento de relações corporativas.
“Uma pessoa com algum tipo de deficiência fica muitos anos
fora da sociedade e a maior dificuldade é reaprender a se ambientar”, explica
Marisa Taboas, psicóloga do Centro de Aprendizagem Empresarial Piaget (CAEP),
que auxilia grupos de profissionais recém-contratados pelas empresas.
Desde 1998, o serviço é prestado às empresas que contratam
pessoas com deficiência para que se preparem para assumir os cargos. “Para nós,
é um trabalho bastante gratificante. Muitas vezes, o aluno tem vergonha até de
entrar na sala de aula, e, ao final do estágio conosco, as portas se abrem, já
que ele se sente mais seguro”, conta Marisa.