Perspectivas de Corte na taxa Selic e oportunidades econômicas para o Brasil
Luiz Cherman, vice-presidente de Política e Economia do banco, afirma que taxa Selic deve ter cortes no início de 2026 e encerrar próximo ano em 12,75%
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Luiz Cherman, que ocupa o cargo de vice-presidente de Política e Economia no Itaú BBA, previu que a taxa Selic deverá ser reduzida no início de 2026, com uma expectativa de encerramento do ano seguinte em torno de 12,75%. Durante uma apresentação realizada em São Paulo, para CFOs promovida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), Cherman destacou que não há espaço para cortes significativos na taxa de juros a curto prazo.
Segundo Cherman, a inflação persistente no setor de serviços é um fator limitante que impede o Banco Central de implementar uma política de redução mais agressiva nas taxas. “Em nossa análise, o Banco Central poderá iniciar os cortes nos juros no começo do próximo ano, mas não acreditamos que esses cortes ultrapassem os 12,25%. Este processo será gradual, visando a convergência da inflação com a meta estipulada, o que manterá os juros em níveis elevados ou resultará em pequenas quedas ao longo do tempo”, afirmou.
O executivo também mencionou que a inflação elevada persiste mesmo diante de um crédito mais restrito, consequência do aumento das taxas de juros. Ele atribui esse fenômeno ao fortalecimento do mercado de trabalho. “Atualmente, a inflação no setor de serviços está próxima dos 7%, reflexo do mercado laboral apertado e da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos”, acrescentou.
Cherman citou dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), indicando uma queda no número de trabalhadores que enfrentam dificuldades para encontrar emprego. Além disso, ele observou um aumento no índice de brasileiros que buscam novas oportunidades profissionais, sinalizando um otimismo crescente em relação às perspectivas de carreira.
No âmbito das oportunidades econômicas, Cherman acredita que o Brasil pode se beneficiar devido ao cenário macroeconômico atual. Ele argumenta que as tarifas impostas pelos Estados Unidos e as incertezas associadas às políticas econômicas da administração Trump podem levar à valorização do real e à expansão das exportações brasileiras.
“O Brasil tem a chance de aumentar suas exportações manufatureiras para os Estados Unidos, que poderão reduzir compras da Ásia. Além disso, podemos intensificar nossas exportações para a Ásia caso esses países diminuam suas aquisições dos americanos”, observou.
Por fim, Cherman ressaltou que as incertezas advindas da guerra comercial atual têm levado investidores a diversificarem seus portfólios, buscando proteção através da inclusão de outras moedas além do dólar. “A percepção predominante sobre as flutuações do real geralmente ignora o fato de que muitos movimentos são influenciados por fatores externos”, concluiu.