Paulo Serra, o trator de votos que mira SP em 2026
Ex-prefeito de Santo André se projeta no cenário estadual e desponta como nome competitivo para o governo paulista em 2026
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 30/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Paulo Serra, figura política consolidada na região do ABC Paulista, está em plena ascensão rumo ao tabuleiro estadual. Ex-prefeito de Santo André, ele deixou a gestão municipal com índices raramente alcançados: aprovação popular superior a 80% e recorde de votos válidos em sua reeleição, com 76,88%. Esses números não apenas demonstram o respaldo da população, mas pavimentam o discurso de eficiência administrativa que Serra tem utilizado como cartão de visita em sua jornada para além dos limites do município.
O próprio Serra costuma dizer que seu legado em Santo André foi “resgatar o amor dos andreenses pela cidade”, um sentimento que traduz a retomada da autoestima coletiva após anos de dificuldades econômicas e institucionais. Ele defende que “gestão pública que funciona não é acaso, é método”, resumindo em poucas palavras a marca que busca consolidar: a de um gestor pragmático, disciplinado e guiado por resultados mensuráveis. A imagem de eficiência e seriedade no trato com o dinheiro público se transformou em ativo político valioso.
Essa trajetória ganhou ainda mais corpo com entregas concretas. Santo André, sob sua gestão, figurou entre as 20 melhores cidades para empreender no Brasil, recebeu premiações de excelência em inovação e avançou em projetos estruturais de impacto. Obras como o Hospital da Vila Luzita e o Hospital do Idoso, antes engavetadas, tiveram andamento consistente. Paulo Serra também conquistou o “Prêmio Prefeito Empreendedor”, consolidando seu prestígio nacional entre gestores municipais.
O impacto no Consórcio ABC e a visibilidade política
A carreira de Paulo Serra também foi impulsionada por sua atuação no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, entidade que reúne prefeitos de sete cidades estratégicas da região metropolitana. Após ocupar a vice-presidência, foi eleito presidente, posição que lhe deu protagonismo regional e capacidade de articulação com outros atores políticos. Essa experiência ampliou sua visibilidade além de Santo André e consolidou sua imagem como liderança regional com trânsito em diferentes espectros ideológicos.
Paulo Serra tem investido ainda em formação e projeção internacional. Recentemente cursou uma especialização em Harvard, movimento interpretado por analistas políticos como preparação deliberada para disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2026.

Esse esforço de qualificação também reforça sua narrativa de gestor moderno, capaz de combinar práticas globais de administração com as necessidades locais de São Paulo. Politicamente, o ex-prefeito busca se distanciar de posições radicais da extrema direita, mantendo-se em um campo de centro-direita que o PSDB paulista tenta reorganizar após anos de desgaste.
A consolidação de seu nome em pesquisas eleitorais reforça essa leitura. Ainda sem estar oficialmente em campanha, Serra já aparece em levantamentos para o governo do estado, chegando a registrar 7,1% das intenções de voto em uma das sondagens mais recentes. Para um político que não ocupa cargo público desde o fim de seu mandato municipal, o número é interpretado como sinal de reconhecimento e potencial de crescimento durante uma disputa estadual.
O horizonte de 2026 e a disputa pelo Bandeirantes
À medida que 2026 se aproxima, os movimentos de Serra ganham repercussão nos bastidores políticos. Dentro do PSDB, seu nome é tratado como uma das principais apostas para a reconstrução do partido em São Paulo, estado onde a legenda governou por quase três décadas, mas perdeu espaço em meio à ascensão do bolsonarismo e à fragmentação da centro-direita. A possibilidade de uma união entre forças tucanas, setores independentes e partidos de centro-direita abre espaço para que Serra figure como candidato competitivo na corrida pelo Bandeirantes.

O caminho, porém, não é simples. A disputa promete ser marcada por candidaturas fortes, tanto da base governista ligada ao presidente Lula quanto de setores mais alinhados à direita conservadora. Nesse cenário, Paulo Serra terá que mostrar que sua experiência administrativa, combinada ao apoio popular conquistado em Santo André, é suficiente para se transformar em alternativa viável ao eleitorado paulista. Sua narrativa de “trator de votos” e gestor eficiente será testada em um campo de batalha político que vai muito além dos muros do ABC.
A força de Serra não se restringe às realizações passadas, mas ao simbolismo que construiu: o de alguém capaz de unir experiência técnica, pragmatismo administrativo e habilidade política. Se conseguirá converter esse capital em uma vitória estadual em 2026, ainda é cedo para afirmar. Mas uma coisa é clara: Paulo Serra deixou de ser apenas um nome regional para se tornar uma peça relevante no xadrez político de São Paulo.