Lula enfatiza a necessidade de alianças políticas para 2026
Lula convoca ministros do PT a priorizarem alianças para as eleições de 2026, visando fortalecer a maioria no Senado e enfrentar adversários.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 30/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou seus ministros do Partido dos Trabalhadores (PT) a demonstrar uma maior maturidade política, ressaltando a importância de priorizar alianças eleitorais competitivas em detrimento de interesses pessoais, visando as eleições de 2026. Durante uma reunião no Palácio da Alvorada, realizada na noite da última quinta-feira, 27, Lula expressou que é essencial que o PT e seus aliados consigam conquistar a maioria no Senado nas próximas eleições, caso queiram evitar que a Casa seja dominada por seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A conversa reservada contou com a participação de ministros, líderes do PT no Congresso e do recém-eleito presidente do partido, Edinho Silva. O encontro teve como foco discutir estratégias governamentais para a Câmara e o Senado, além das eleições iminentes. Em 2026, o Senado renovará 54 das suas 81 cadeiras e pesquisas atuais indicam uma posição vantajosa para os aliados de Bolsonaro neste cenário.
Esse panorama preocupa o Palácio do Planalto. Ministros presentes na reunião interpretaram as declarações de Lula sobre a formação de chapas competitivas para o Senado como um aviso direcionado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em busca de um novo mandato, Haddad necessita de palanques robustos, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que são considerados os maiores colégios eleitorais do país.
Atualmente, Haddad não tem planos de renunciar ao cargo para concorrer. Segundo as projeções do governo, cerca de 20 dos 38 ministros devem deixar suas funções em abril do próximo ano com o intuito de se candidatar a uma vaga no Congresso ou em governos estaduais.
Em sua análise sobre o contexto político atual, Lula não antecipou novidades em relação ao julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), programado para iniciar na próxima terça-feira, dia 2. As expectativas são de que Bolsonaro enfrente condenações por tentativa de golpe de Estado e pela abolição violenta do estado democrático.
A reunião no Alvorada ocorreu após uma série de encontros entre Lula e representantes de outras legendas que fazem parte da coalizão governamental. Nas últimas semanas, o presidente dialogou com dirigentes dos partidos Republicanos, União Brasil, PSD, MDB e PSB.
Durante o encontro com os petistas, Lula reiterou sua demanda por lealdade entre os aliados, conforme já havia feito em uma reunião ministerial anterior. Ele manifestou sua insatisfação com ministros do PP e do União Brasil que não defenderam o governo diante das críticas recebidas.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também fez comentários contundentes direcionados ao Planalto durante essa ocasião. Tarcísio é considerado pelo Centrão como um potencial adversário para Lula nas próximas eleições. Na referida reunião ministerial, Lula expressou sua crença de que o governador se tornará seu concorrente nas urnas em 2026.
No decorrer da reunião no Alvorada, Lula fez elogios à operação da Polícia Federal chamada Carbono Oculto, que recentemente desmantelou um esquema bilionário envolvendo lavagem de dinheiro em postos de combustíveis utilizando fintechs. O governo acredita que os resultados dessa ação vão acelerar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que atualmente está estagnada no Congresso.
Por outro lado, Lula expressa preocupação em relação à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instaurada para investigar irregularidades nas aposentadorias do INSS. O presidente ainda não superou a perda da presidência e da relatoria desse colegiado por parte do governo e considera que isso ocorreu devido à falta de atenção dos articuladores políticos do PT.