Países onde o Papai Noel não é bem-vindo e por quê?

Símbolo do Natal ocidental, o personagem já foi proibido ou substituído em países que veem sua imagem como ameaça cultural, religiosa ou política

Crédito: (Divulgação/Canva)

Embora o Papai Noel seja uma das figuras mais reconhecidas do imaginário global, sua presença não é universal nem consensual. Associado à generosidade, ao consumo e ao cristianismo no Ocidente, o personagem enfrenta rejeições históricas e contemporâneas em diferentes partes do mundo, motivadas por disputas ideológicas, religiosas e culturais.

Segundo Mário Marcondes, professor de história da Plataforma Professor Ferretto, o bom velhinho costuma ser interpretado por alguns Estados como um vetor simbólico de valores estrangeiros. Em contextos mais fechados ou rígidos, essa leitura transforma o personagem em alvo de resistência institucional. A rejeição, nesses casos, vai além do folclore e se insere em projetos mais amplos de preservação identitária.

Herança soviética e a substituição ideológica do Natal

Durante a existência da antiga União Soviética, o Natal foi progressivamente desencorajado por sua ligação direta com o cristianismo, religião considerada incompatível com os princípios do Estado marxista. A solução encontrada foi ressignificar o período festivo sem recorrer a símbolos religiosos.

Papai Noel Negro
(Julio Sonnewend/Vale Sul Shopping)

Nesse contexto, ganhou força a figura de Ded Moroz, o Avô Gelo, personagem laico associado ao Ano Novo e desvinculado de qualquer tradição cristã. Até hoje, em países do Leste Europeu e da Ásia Central, essa figura segue ocupando o espaço que, no Ocidente, pertence ao Papai Noel.

Rigor religioso e a rejeição no mundo islâmico ao Papai Noel

Em países de maioria islâmica com interpretações religiosas mais conservadoras, como a Arábia Saudita, o Natal não integra o calendário oficial de celebrações. A presença pública do Papai Noel é vista como uma forma de influência cultural externa, associada tanto ao cristianismo quanto aos costumes ocidentais.

Nesses locais, manifestações natalinas são desencorajadas em espaços públicos, como forma de preservar valores religiosos e evitar a assimilação de símbolos considerados alheios à tradição local. Ainda que haja maior flexibilização em ambientes privados, a figura do bom velhinho permanece ausente do cotidiano coletivo.

Isolamento político e controle cultural na Coreia do Norte

Na Coreia do Norte, a rejeição ao Papai Noel tem motivação predominantemente política. O regime impõe controle rigoroso sobre qualquer símbolo que represente a cultura globalizada ou valores do Ocidente.

A circulação de ícones natalinos é limitada, e celebrações cristãs são tratadas como ameaça ideológica. O objetivo é manter o isolamento cultural e reforçar a centralidade do Estado e de sua narrativa oficial, sem interferências externas.

Tradições locais resistem ao modelo globalizado na Europa

Natal - West Plaza
(Divulgação)

Mesmo na Europa, berço de muitas tradições natalinas, o Papai Noel enfrenta concorrência e, em alguns casos, resistência. Em diversas regiões, personagens folclóricos locais continuam sendo protagonistas das festas de fim de ano.

Em países como Holanda e Alemanha, São Nicolau segue como figura central das celebrações. Já em partes da Áustria e da Baviera, o destaque recai sobre o Krampus, criatura mítica que acompanha São Nicolau e simboliza punição às crianças que não se comportaram ao longo do ano.

Essas tradições reforçam a ideia de que o Natal europeu não é homogêneo e que o Papai Noel, tal como difundido pela cultura de massa, não substituiu completamente personagens históricos e regionais.

Para o professor Mário Marcondes, essa diversidade revela que o bom velhinho não é apenas um símbolo festivo, mas um elemento carregado de significados culturais e políticos. Onde sua imagem é percebida como ameaça à identidade nacional, religiosa ou ideológica, a rejeição funciona como um mecanismo de proteção cultural.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 25/12/2025
  • Fonte: Sorria!,