Pablo Delano no MASP revela a colonialidade de Porto Rico

A mostra inédita questiona o status político caribenho com imagens históricas e propõe um debate urgente sobre o anticolonialismo na América Latina

Pablo Delano no MASP revela a colonialidade de Porto Rico

Crédito: Divulgação

A Pablo Delano no MASP inaugura um marco decisivo na curadoria de arte latino-americana no Brasil. O museu apresenta a primeira mostra individual do fotógrafo porto-riquenho no país. A instalação central, intitulada O museu da antiga colônia, subverte a museologia tradicional. Ela expõe cerca de 300 fotografias e artefatos que dissecam a contínua exploração territorial de Porto Rico.

A estrutura crítica de Pablo Delano no MASP

Pablo Delano no MASP revela a colonialidade de Porto Rico
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O artista transforma o espaço expositivo em uma trincheira visual. Obras de Pablo Delano no MASP fixadas diretamente nas paredes desafiam o olhar passivo do visitante. A curadoria de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva ressignifica imagens históricas e objetos banais, como as garrafas do refrigerante Old Colony.

“Pablo Delano oferece a possibilidade de olhar para a história de Porto Rico, e sua colonização pelos Estados Unidos, de uma outra maneira. Mais crítica, certamente, mas também com alguma graça e ironia.”

Conexões históricas com o Brasil

O passado escravagista e a dizimação de matrizes indígenas aproximam visceralmente as duas nações. A exposição levanta dilemas contemporâneos inevitáveis. O conceito de anticolonialismo ganha densidade militar diante das ameaças geopolíticas que rondam o continente.

Obras viscerais investigam a transição de domínio espanhol para o controle dos Estados Unidos em 1898. Essa ambiguidade territorial transformou a ilha em um enclave onde os cidadãos possuem passaporte estadunidense, mas sofrem graves restrições civis e eleitorais.

O legado de Lina Bo Bardi e a visão de Pablo Delano no MASP

O questionamento das estruturas hegemônicas dialoga com o DNA do próprio edifício da Avenida Paulista. O museu idealizado por Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi nasceu sob a premissa estrita de descolonizar o olhar.

A mostra evidencia como a publicidade moldou o falso estereótipo de paraíso tropical. O roteiro expositivo exige uma resposta do público sobre os limites institucionais:

  • Exposição nua de fotografias sem molduras para quebrar o distanciamento acadêmico.
  • Ressignificação de produtos de consumo de massa caribenhos.
  • Ataque visual à retórica belicista de dominação territorial.
  • Subversão das hierarquias clássicas de classificação de acervos.

Trajetória internacional e acesso integral

O projeto desembarca no Brasil após integrar a Bienal de Veneza de 2024. A carreira rigorosa de Pablo Delano (nascido em 1954) atravessa décadas de pesquisa documental obstinada. O evento consolida o ciclo anual dedicado às Histórias latino-americanas.

O público ganha acesso irrestrito a recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição e visitas em Libras. Obras potentes ocupam o Edifício Lina Bo Bardi de 30 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027. Mergulhar na retrospectiva de Pablo Delano no MASP significa confrontar as fraturas expostas de um colonialismo que insiste em ditar as regras globais.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 16/10/2026 22:16
  • Alterado: 16/10/2026 22:17
  • Autor: Leonardo Nogueira