Exposição KAABOK debate a presença indígena urbana
A nova instalação fotográfica do Sesc 24 de Maio desconstrói estereótipos cristalizados e revela a pluralidade de narrativas originárias nas metrópoles
- Publicado: 16/10/2026 21:26
- Alterado: 16/10/2026 21:27
- Autor: Leonardo Nogueira
A exposição KAABOK altera a rota do imaginário tradicional sobre as populações originárias no Brasil. O Sesc 24 de Maio abriga, a partir de outubro de 2026, uma série fotográfica inédita focada nas vivências de quem nasceu e cresceu longe das aldeias. A mostra direciona suas lentes para as periferias de São Paulo. A curadoria desfaz clichês seculares.
Retomada e identidade na exposição KAABOK

O projeto visual reflete as inquietações do Coletivo ORIAN. Três mulheres originárias e integrantes da comunidade LGBTQIAP+ lideram a criação estética. Elas utilizam o audiovisual como ferramenta de afirmação política e visibilidade. A pergunta “Por que demoramos tanto tempo para nos enxergar?” norteia o trajeto do visitante pelo 6º andar da unidade.
As imagens capturam existências apagadas pela narrativa hegemônica. A exposição KAABOK obriga o espectador a refletir sobre o apagamento histórico e a representatividade contemporânea.
A ressignificação do termo tupi
O título da mostra carrega um peso linguístico denso e intencional. A palavra une os radicais tupis kaa (mata) e bok (procedente de). Povos da costa usavam a expressão de forma pejorativa contra grupos do sertão, rotulados como “gente do mato”. As artistas subvertem esse estigma. Elas transformam a ofensa em grito de pertencimento territorial na metrópole.
Debates e expansão crítica
A imersão fotográfica transcende as imagens fixas. O Sesc organiza rodas de conversa gratuitas para aprofundar o impacto do tema na sociedade paulistana. O primeiro grande encontro ocorre em 13 de novembro.
A roda “Retomada indígena na quebrada” reúne Maya Vital e Isa Katupyryb, com mediação de Jera Guarani, para investigar o papel da arte na transformação social.
A equipe responsável pelo projeto reflete a potência da nova geração de produtores culturais indígenas:
- Tatiane Ursulino: Assina a direção criativa e as fotografias.
- Barbara X: Comanda a produção executiva.
- Daniela Oliveira: Responde pela assistência de fotografia.
O circuito cultural de São Paulo ganha um acervo visual fundamental para entender a nova demografia originária. O acesso livre ao andar expositivo democratiza o conhecimento. Conhecer a exposição KAABOK representa um passo essencial para aceitar a premissa de que os povos indígenas existem, resistem e criam em todos os lugares.