Ouro recua 0,33% após renovar máxima histórica de US$ 4.644

Em dia de volatilidade, preço do ouro sofre realização de lucros enquanto a prata renova recorde

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O mercado de metais preciosos viveu uma jornada de intensos contrastes nesta terça-feira (13). O ouro encerrou a sessão em queda na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), após uma manhã de euforia que levou o metal a renovar sua máxima histórica. O contrato para fevereiro recuou 0,33%, cotado a US$ 4.599,10 por onça-troy, pressionado por uma forte movimentação de realização de lucros e pelo fortalecimento do dólar no cenário internacional.

No início das negociações, o otimismo imperava e o ouro chegou a atingir o patamar inédito de US$ 4.644,00, impulsionado pela busca por proteção contra a inflação. Contudo, a divulgação de novos dados do CPI (índice de preços ao consumidor) nos Estados Unidos e as incertezas sobre a condução da política monetária pelo Federal Reserve (Fed) inverteram o sinal dos ativos ao longo da tarde.

Volatilidade e a influência do Fed no preço do ouro

O recuo no preço do ouro reflete a cautela dos investidores quanto aos próximos passos do banco central americano. Com a reunião do Fed agendada para os dias 27 e 28 de janeiro, o mercado aposta na manutenção das taxas atuais, embora a expectativa de dois cortes de juros ainda em 2026 permaneça no radar. Historicamente, juros mais baixos aumentam a atratividade do ouro, pois reduzem o custo de oportunidade de manter o metal, que não gera rendimentos em dividendos.

A pressão sobre o ativo também deriva de questões institucionais. O mercado monitora com lupa as críticas do presidente Donald Trump ao chefe do Fed, Jerome Powell. A proximidade do fim do mandato de Powell, em maio, gera um clima de incerteza sobre a independência da autoridade monetária, fator que David Wilson, analista do BNP Paribas, classifica como crucial para o desempenho do ouro durante este ano.

Tensões geopolíticas e o rali da prata

Enquanto o ouro sucumbiu à pressão vendedora, a prata seguiu uma trajetória oposta e brilhante. O metal branco para março avançou 1,46%, fechando a US$ 86,33 por onça-troy, após chegar perto da marca psicológica dos US$ 90 no pico do pregão. O movimento foi sustentado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio, após o governo americano suspender contatos com autoridades do Irã e impor uma tarifa de 25% a países que comercializam com Teerã.

Esses conflitos costumam impulsionar os metais preciosos, mas, no caso do ouro, o ganho do dólar frente a outras moedas fortes acabou limitando o espaço para novas valorizações no fechamento. Além disso, outros metais do grupo da platina não acompanharam o fôlego da prata: a platina registrou queda de 1,1% (US$ 2.338,9), e o paládio recuou 1,25% (US$ 1.914,90).

Perspectivas para o mercado de ouro em 2026

Especialistas apontam que, apesar da queda pontual nesta terça-feira, o suporte estrutural para o ouro continua elevado. A combinação de dívida pública americana crescente, riscos de guerras comerciais e a transição na liderança do Fed mantém o metal dourado como o “porto seguro” preferencial dos grandes fundos de investimento.

A escaneabilidade do mercado sugere atenção aos seguintes pontos nas próximas semanas:

  • Decisão do Fed (28/01): Qualquer sinalização de corte precoce pode disparar nova corrida pelo metal.
  • Geopolítica no Irã: Novas sanções podem restringir a liquidez global e favorecer ativos reais.
  • Barreira dos US$ 4.600: O fechamento ligeiramente abaixo deste nível técnico pode indicar um período de consolidação para o ouro antes de novos testes de máxima.
  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/01/2026
  • Fonte: Fever