Operação mira fraude de ICMS no setor de combustíveis
Operação "Poço de Lobato" bloqueia mais de R$ 10 bilhões contra gigante do setor de combustíveis
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 27/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) desencadeou nesta quinta-feira (27) a Operação “Poço de Lobato” para desmantelar um vasto esquema de fraude fiscal envolvendo uma das maiores corporações de combustíveis do país.
A operação do CIRA/SP é coordenada pelo Governo de São Paulo e conta com a participação crucial da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE/SP) e Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Bloqueio de mais de R$ 10 bilhões
Medidas judiciais foram implementadas, resultando no bloqueio de ativos superiores a R$ 10 bilhões contra todos os membros do grupo econômico sob investigação.
A PGE/SP tomou a iniciativa de bloquear imediatamente R$ 8,9 bilhões dos integrantes do grupo. Em uma ação paralela, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) moveu ações na Justiça Federal para indisponibilizar R$ 1,2 bilhão adicionais da mesma organização.
Escopo da operação e prejuízo estimado
Cerca de 600 agentes foram mobilizados para cumprir mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Distrito Federal e Maranhão.
- Alvos: Mais de 190 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, são suspeitos de integrar uma organização criminosa.
- Crimes: Os ilícitos incluem crimes contra a ordem econômica e tributária, lavagem de dinheiro e outras infrações.
- Prejuízo: As investigações apontam que a fraude já gerou um prejuízo estimado em mais de R$ 26 bilhões em débitos inscritos na dívida ativa.
A operação é reforçada pelo apoio da Receita Federal do Brasil (RFB), Secretaria Municipal da Fazenda de São Paulo e das Polícias Civil e Militar.
Como a fraude funcionava
As apurações da Sefaz/SP revelaram que o grupo investigado utilizava empresas coligadas como interpostas para fugir do pagamento do ICMS devido ao Estado de São Paulo. O esquema envolvia:
- Infrações Fiscais Repetidas: O grupo cometia seguidas violações fiscais.
- Uso de Empresas Ligadas: Utilização de uma rede de empresas interligadas.
- Simulação de Vendas Interestaduais: Fraudes em operações de venda de combustíveis entre estados.
Mesmo após a Sefaz/SP aplicar diferentes Regimes Especiais de Ofício, o grupo persistiu na evasão fiscal, desenvolvendo novas táticas de fraude para evitar tributos e obter uma vantagem competitiva desleal no mercado.
Para ocultar os verdadeiros beneficiários e expandir o negócio, a rede criminosa se valia de uma complexa rede de colaboradores, utilizando:
- Falsificações
- Estruturas societárias e financeiras em camadas
- Outras práticas para gerir a cadeia de produção e distribuição de combustíveis.
Curiosidade sobre o nome
A operação foi denominada “Poço de Lobato” em homenagem ao primeiro poço de petróleo descoberto no Brasil, que ocorreu em 1939 no bairro de Lobato, em Salvador (BA).