Operação mira fraude de R$ 590 mil em transporte escolar de SP
Investigação apura possível desvio de R$ 590 mil envolvendo grupo de empresas contratadas para levar alunos com deficiência em SP e GO.
- Publicado: 14/05/2026 09:41
- Alterado: 14/05/2026 09:41
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Agência SP
A Controladoria Geral do Estado (CGE) e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (14) a Operação Caminho Protegido. O objetivo principal dos agentes é desarticular um esquema de fraude no transporte especial escolar. As equipes cumprem 14 mandados de busca e apreensão em cidades paulistas e no estado de Goiás.
A investigação começou a partir de uma auditoria da CGE motivada por denúncias da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). O alvo das apurações é o serviço “Ligado”, programa estadual que atende diariamente 5.085 beneficiários, entre alunos com necessidades especiais e seus acompanhantes, utilizando uma frota de 790 veículos.
Indícios de fraude no transporte especial escolar
Os auditores identificaram irregularidades graves no chamado “Cluster Sumaré”, um grupo que transporta cerca de 50 crianças mensalmente no interior paulista. Todas as empresas do consórcio nasceram no mesmo dia, em 20 de dezembro de 2023. O endereço registrado abriga um imóvel de natureza residencial e comercial, sem qualquer capacidade material para comportar a frota das quatro transportadoras.
Para vencer o edital de chamamento público e concretizar a fraude no transporte especial escolar, as companhias investigadas apresentaram atestados de capacidade técnica falsificados. Os documentos fraudulentos foram emitidos no dia da fundação das empresas por parentes dos sócios, com base na cidade goiana de Aparecida de Goiânia.
Prejuízo financeiro e alvos das buscas
O levantamento do governo estadual estima um rombo potencial de R$ 590.234,26 nos cofres públicos, valor correspondente às ordens de serviço liberadas para as transportadoras sob investigação. Os policiais do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) percorrem endereços em Sumaré, Campinas, Guarulhos, São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul e municípios de Goiás para recolher provas.
A apreensão de equipamentos eletrônicos, registros contábeis e documentos financeiros vai abastecer a próxima fase do inquérito. A Seduc-SP assumiu a gestão integral dos contratos em novembro de 2025 após a extinção da antiga EMTU, mantendo os prestadores antigos momentaneamente apenas para evitar a interrupção no atendimento diário aos estudantes.
Canais oficiais para denúncia
Cidadãos que possuam informações adicionais sobre os desvios alvos da operação podem acionar o governo estadual de forma anônima. A plataforma Fala.SP, mantida pela CGE, centraliza o recebimento de manifestações e provas documentais de irregularidades. O engajamento da população ajuda as autoridades a combater diretamente qualquer nova tentativa de fraude no transporte especial escolar.