Roubos caem 70% após um ano do fim da Cracolândia

A desarticulação do tráfico e o avanço no acolhimento de dependentes químicos transformam o centro paulistano um ano após a desocupação.

Crédito: Divulgação/Governo de SP

Um ano após o desmonte definitivo da Cracolândia, a região central de São Paulo registra uma queda histórica de 70% nos roubos. O governo estadual encerrou a cena aberta de uso de drogas na rua dos Protestantes em maio de 2025. O resultado reflete uma força-tarefa que integrou segurança pública, assistência social e saúde.

O fluxo itinerante concentrava até 2 mil usuários e dominava vias tradicionais do bairro há décadas. A desocupação da área encerrou um longo ciclo de degradação estrutural nos bairros de Campos Elíseos e Santa Cecília. As ruas retomam gradativamente a rotina comercial e residencial.

Queda recorde de roubos e asfixia financeira do tráfico

Os registros de roubos nos 3º e 77º Distritos Policiais despencaram de 2.905 casos no primeiro trimestre de 2023 para 881 ocorrências no mesmo período de 2026. Nove dos onze meses seguintes à desocupação bateram os menores índices da série histórica. A região atingiu a menor taxa de criminalidade das últimas quase duas décadas.

O policiamento ostensivo recebeu mais de 400 novos agentes militares. O efetivo fixo supera os 2 mil policiais, apoiados pelo sistema de câmeras inteligentes do programa Muralha Paulista. A Polícia Civil focou na inteligência para desarticular a logística do tráfico em ferros-velhos, pensões e hotéis clandestinos.

“O que aconteceu no Centro foi uma estratégia de asfixia financeira contra o crime organizado. Atacamos a logística e o dinheiro ao mesmo tempo”, afirmou o secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves. O vice-governador Felício Ramuth destacou que a presença firme do Estado, aliada à integração de secretarias, reverteu um problema considerado crônico.

Saúde pública e acolhimento em Casas Terapêuticas

O Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas funciona como a principal porta de entrada do sistema de saúde na região. A unidade realizou 39,3 mil atendimentos emergenciais desde 2023. Nove em cada dez pacientes recebem encaminhamento direto para tratamento especializado e comunidades terapêuticas.

O Estado ampliou a rede de acolhimento com a criação de 14 complexos de Casas Terapêuticas. As unidades disponibilizam 630 vagas distribuídas entre a Grande São Paulo e o interior. O programa governamental já atendeu 1.368 pessoas com histórico de vivência nas ruas e vulnerabilidade extrema.

O tratamento foca na reinserção social, educação financeira e retomada dos estudos em quatro fases distintas. “A Casa Terapêutica aparece quando essas pessoas realmente se cansam e querem mudar de vida”, explicou Cláudia Conde, coordenadora de um complexo localizado na zona sul da capital.

Revitalização econômica e o Novo Centro Administrativo

Empresários locais relatam a recuperação do faturamento após anos de crise aguda. O esvaziamento das vias reduziu drasticamente as ocorrências de roubos contra lojistas, furtos e depredações de patrimônio. “Nós tivemos um período de pesadelo por conta do fluxo. Estamos vivendo hoje em uma rua tranquila”, relatou o comerciante Mário Kamei.

O projeto do Novo Centro Administrativo Campos Elíseos vai impulsionar a reocupação do território. O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão em fevereiro de 2026 e investirá R$ 6 bilhões. O complexo abrigará 22 mil servidores estaduais em sete edifícios.

A megaconstrução prevê a restauração de 17 imóveis tombados e a entrega de um novo terminal de ônibus. O avanço urbanístico sela a mudança de paradigma na região central, transformando o epicentro das antigas cenas de uso em um polo de desenvolvimento, assegurando a estabilidade a longo prazo e a repressão dos roubos no coração da metrópole.

  • Publicado: 13/05/2026 10:52
  • Alterado: 13/05/2026 10:52
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Agência SP