Operação Fim da Fábula derruba esquema de golpes digitais
Ação integrada bloqueia contas milionárias e prende especialistas em fraudes tecnológicas que lavavam dinheiro em plataformas de apostas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Deflagrada nesta terça-feira, a Operação Fim da Fábula prendeu 12 integrantes de uma sofisticada organização criminosa. O grupo era especializado em aplicar fraudes virtuais em massa contra cidadãos desavisados.
A ofensiva cumpre 120 mandados de busca e apreensão e 53 de prisão temporária. As diligências policiais ocorrem nos estados de São Paulo, Minas Gerais e também no Distrito Federal.
Como a Operação Fim da Fábula rastreou o dinheiro
Esta fase da investigação expôs táticas criminosas bem conhecidas do público. Estelionatários operavam o golpe do INSS, do falso advogado e da mão fantasma.
A quadrilha se destacou pelo nível de estruturação hierárquica e pelo uso intensivo de tecnologia para proteger os ganhos ilícitos. O capital roubado passava por complexas engrenagens financeiras logo após sair das vítimas.
“Depois de conseguir o dinheiro das vítimas, eles ainda lavavam esses valores, seja por meio de plataformas de apostas on-line ou fintechs, para dificultar o rastreamento. Mas não deu certo”, explicou Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública.
Estratégia de lavagem em camadas
Para camuflar o patrimônio, os alvos da Operação Fim da Fábula realizavam sucessivas transferências bancárias. O esquema criminoso movimentava recursos ininterruptamente entre familiares e empresas de fachada.
Esse método clássico fragmenta o dinheiro sujo por dezenas de contas de terceiros. A tática visava apagar o rastro das fraudes e despistar os órgãos de controle do governo.
“Tivemos que aplicar a estratégia de ‘seguir o dinheiro’ para desvendar toda a engrenagem criminosa”, detalhou o diretor do Deic, delegado Ronaldo Sayeg.
Bloqueio bilionário e asfixia financeira
O trabalho integrado resultou na identificação de vasto patrimônio ligado aos estelionatários. A Justiça paulista autorizou medidas rigorosas contra 86 contas bancárias mapeadas pelos investigadores.
O bloqueio de ativos pode atingir cifras estratosféricas, considerando o teto de R$ 100 milhões estipulado judicialmente para cada conta. Entre os bens registrados em nome de laranjas estão:
- 36 imóveis de alto padrão;
- Centenas de veículos e embarcações luxuosas;
- Joias e grandes volumes de valores em espécie apreendidos.
“A união de esforços é o único caminho para asfixiar o capital dessas organizações e combatê-las de forma efetiva”, destacou Ivan Francisco Pereira Agostinho, subprocurador-geral de Justiça Criminal.
Cerca de 400 agentes de segurança continuam nas ruas cumprindo mandados em cidades como Santo André, Guarulhos e Capitólio. Focada em rastrear novos envolvidos, a Operação Fim da Fábula consolida um duro golpe na estrutura do cibercrime brasileiro.