Openclaw: conheça o novo agente de IA que mexe sozinho no computador

Ferramenta autônoma executa tarefas complexas sozinha, mas especialistas alertam para exposição de dados sensíveis e falhas de segurança.

Crédito: Reprodução/Internet

O Openclaw representa uma nova fronteira na tecnologia ao permitir que um agente de inteligência artificial opere seu computador de forma autônoma, embora sua instalação exiba imediatamente um aviso sobre os riscos inerentes. A ferramenta promete revolucionar a produtividade executando ações como ler mensagens, redigir anotações, agendar postagens em redes sociais e enviar e-mails sem intervenção humana.

Lançado há cerca de dois meses, o software passou por uma crise de identidade antes de se consolidar no mercado. Inicialmente batizado de Clawdbot, mudou para Moltbot após solicitação da Anthropic e, finalmente, adotou o nome atual na última sexta-feira (30). Contudo, a facilidade de uso esconde complexidades técnicas que exigem atenção.

Para funcionar plenamente, o Openclaw requer conexão com serviços robustos de nuvem, como ChatGPT ou Claude, o que geralmente implica custos para o usuário devido ao alto consumo de processamento. Embora o código seja aberto e gratuito para armazenamento local, a instalação via linha de comando pode ser uma barreira para quem não possui conhecimentos técnicos avançados.

Como o Openclaw transforma a interação digital

A principal inovação desta tecnologia reside na capacidade de acessar arquivos locais para contextualizar pedidos. Se você solicitar o envio de um e-mail para um familiar, o agente analisa históricos de conversas, identifica o contato e dispara a mensagem. Essa autonomia transforma a dinâmica da internet, segundo especialistas.

Percival Henriques, conselheiro do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil), define essa mudança como a evolução do sistema de “observador para operador”.

“O que os agentes de IA fazem é transformar um observador em operador. Antes, o Google lia seus emails para vender anúncios; agora, o agente lê seus emails para responder por você.”

Essa liberdade operacional do Openclaw exige que o usuário confie cegamente na arquitetura do software. Henriques compara a ferramenta a um “mordomo bastante curioso”, já que ela possui acesso irrestrito a dados bancários e correspondências privadas, ampliando vetores de risco já existentes na rede.

Riscos de segurança e a técnica de Prompt Injection

A maior preocupação de especialistas em cibersegurança envolve a exposição de dados a terceiros não intencionais. Daniel Barbosa, da Eset Brasil, alerta que fornecer excesso de informações ao sistema pode resultar em usos imprevistos e perigosos.

O cenário torna-se crítico devido à vulnerabilidade conhecida como “prompt injection”. Nesta técnica, instruções maliciosas ocultas em sites podem manipular o comportamento da IA. Barbosa ilustra um caso prático onde o Openclaw poderia ser enganado:

  • O usuário acessa uma página com uma falsa promoção de passagens aéreas.
  • O site contém comandos ocultos que a IA consegue ler.
  • O agente preenche formulários automaticamente com seus dados pessoais sensíveis, sem que você perceba.

Recomendações para uso seguro

Apesar do potencial disruptivo, a utilização do Openclaw por leigos é desaconselhada no estágio atual de desenvolvimento. O código aberto, embora transparente, está disponível para manipulação pública, o que eleva a superfície de ataques.

Para entusiastas que desejam testar a tecnologia, recomenda-se:

  1. Utilizar Máquinas Virtuais para isolar o ambiente principal.
  2. Restringir o acesso a arquivos contendo senhas ou dados financeiros.
  3. Monitorar ativamente as ações executadas pelo agente.

A conclusão dos analistas é clara: a ferramenta ainda não está madura para adoção em massa. A quantidade de dados exigida para operação e a possibilidade de manipulação externa tornam o Openclaw uma inovação promissora, porém, arriscada para a privacidade do usuário comum.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/02/2026
  • Fonte: FERVER