Oceano Ártico pode ficar sem gelo em até 6 anos

Ações urgentes são necessárias.

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A iminente ausência de gelo no oceano Ártico em três a seis anos, como sugerido por um estudo publicado na Nature Communications, levanta preocupações significativas sobre o impacto das mudanças climáticas. As cientistas da Universidade de Gotemburgo e da Universidade do Colorado utilizam modelos computacionais CMIP6, empregados também pelo IPCC, para prever cenários climáticos futuros. A redução do gelo no Ártico, atualmente em 3,39 milhões de quilômetros quadrados, pode atingir menos de um milhão de quilômetros quadrados, classificando-o como “livre de gelo”.

O derretimento do gelo ártico provoca uma série de reações em cadeia: invernos mais quentes resultam em perda de massa de gelo, deixando-o mais vulnerável às tempestades de verão. Esta condição não apenas aquece o oceano rapidamente, dificultando a formação de novo gelo, mas também ameaça a biodiversidade local. O gelo marinho é crucial para o ecossistema do Ártico; sua ausência poderia comprometer desde algas até ursos-polares.

Micheline Carvalho Silva, da Universidade de Brasília, alerta que a ausência do gelo intensifica a absorção de radiação solar pelo oceano, alterando correntes marinhas e padrões atmosféricos. Isso afeta a flora e fauna locais, como observado na expedição brasileira ao Ártico em 2023. Ela destaca que espécies podem desaparecer ou expandir suas áreas de colonização e que microrganismos presos nas geleiras podem ser liberados.

Apesar do impacto visual significativo do primeiro dia sem gelo no Ártico, não se espera que essa condição seja permanente. Mantendo o aquecimento global abaixo de 1,5°C, conforme o Acordo de Paris, dias sem gelo ainda podem ser evitados. Céline Heuzé reforça a necessidade urgente de mitigar as mudanças climáticas interrompendo o uso de combustíveis fósseis para evitar consequências irreversíveis no planeta.

  • Publicado: 26/01/2026
  • Alterado: 26/01/2026
  • Autor: 05/12/2024
  • Fonte: Maria Clara e JP