Obra contra enchentes muda rotina de 1 milhão na zona sul de São Paulo
Piscinão do Córrego Antonico avança no Morumbi e tenta conter alagamentos históricos em área crítica da capital
- Publicado: 26/03/2026 13:52
- Alterado: 26/03/2026 13:52
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Agência SP
O avanço das obras do piscinão do Córrego Antonico, na zona sul de São Paulo, recoloca no centro do debate as enchentes que, ano após ano, travam vias, invadem casas e expõem a fragilidade da drenagem urbana em áreas densamente ocupadas de São Paulo. A estrutura, em execução na região do Morumbi e Paraisópolis, foi vistoriada nesta quinta-feira (26) pelo governador Tarcísio de Freitas e integra um conjunto de intervenções que promete alterar a dinâmica da água em um dos pontos mais pressionados da cidade
Com investimento de cerca de R$ 145 milhões e 70% das obras concluídas, o reservatório está sendo implantado na Praça Alfredo Gomes, no fim da Avenida Jules Rimet. A proposta é direta: conter o avanço repentino das águas em períodos de chuva intensa e devolver esse volume gradualmente ao sistema de drenagem. O equipamento terá capacidade para armazenar mais de 44 milhões de litros e receberá a vazão do córrego que nasce em Paraisópolis e atravessa áreas críticas, como o entorno do estádio MorumBIS e da Avenida Jorge João Saad
A obra faz parte de uma articulação entre Estado e Prefeitura de São Paulo para enfrentar um problema que se repete há décadas na região. Durante a vistoria, o governador afirmou que “as obras fazem parte de uma parceria do Governo do Estado de São Paulo com a Prefeitura para enfrentarmos um problema crônico nessa região, que são as cheias”, ao defender a integração de sistemas para absorver a vazão das águas e reduzir o impacto das chuvas
Piscinão tenta conter ponto crítico de enchentes e alagamentos na cidade
A relevância da intervenção está diretamente ligada ao território onde ela se insere. O eixo formado por Morumbi, Paraisópolis e vias como a Jorge João Saad concentra fluxo intenso, ocupação consolidada e histórico frequente de transbordamentos do Córrego Antonico. Em dias de chuva forte, a água ultrapassa a capacidade do sistema, invade ruas e compromete mobilidade, comércio e segurança de quem circula pela região.
A proposta do novo reservatório é justamente segurar esse volume antes que ele avance. Ao explicar o impacto esperado, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou que “com capacidade para reter mais de 44 milhões de litros e integrada a um robusto sistema de drenagem, essa obra aumenta significativamente a eficiência hidráulica da bacia do Antonico”, associando o projeto à redução de riscos em uma área que concentra grande circulação de pessoas
A leitura técnica aponta para um efeito direto na contenção de transbordamentos. A diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, classificou a intervenção como estratégica ao destacar que “o piscinão ajudará a controlar a vazão do Córrego Antonico e reduzir riscos de transbordamento em pontos críticos, como o entorno do MorumBIS”, um dos trechos mais expostos durante temporais na cidade
Sistema maior inclui canalização e novos reservatórios em São Paulo

O piscinão do Antonico não atua isoladamente. A obra integra um conjunto mais amplo de intervenções que incluem a canalização de 951 metros do córrego, a instalação de 1.100 metros de galerias de drenagem e a conexão com outros reservatórios em execução. A lógica é ampliar a capacidade de resposta do sistema como um todo, evitando que a água se concentre em pontos críticos.
Além da estrutura principal, a Prefeitura de São Paulo prevê a construção de um segundo reservatório na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao MorumBIS, com capacidade para 133,6 milhões de litros. A combinação entre diferentes equipamentos indica que a solução para a região depende de um sistema integrado, capaz de absorver grandes volumes de água em sequência, e não de uma única obra pontual
Desde 2023, o Estado afirma ter destinado quase R$ 1 bilhão à implantação de reservatórios de contenção de cheias na Região Metropolitana de São Paulo. A estratégia inclui obras em diferentes municípios e manutenção de estruturas já existentes, que juntas somam capacidade de armazenamento superior a 4,8 bilhões de litros de água. Em uma cidade onde episódios de chuva intensa se tornaram mais frequentes, a eficácia desse sistema passa a ser medida não pelo tamanho das obras, mas pela capacidade de evitar que a rotina da população volte a ser interrompida a cada novo temporal em São Paulo.