O perigo das falsas oportunidades de trabalho no exterior
Especialistas alertam para golpes digitais, falsas vagas e crimes de exploração internacional que já vitimaram mais de 200 brasileiros
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 02/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Construir uma carreira em outro país é o sonho de muitos brasileiros, mas o que parece uma chance de trabalho imperdível, pode esconder perigos graves. Dados do Ministério da Justiça mostram que, entre 2017 e 2025, mais de 200 brasileiros foram resgatados de situações de tráfico de pessoas.
Para ajudar quem busca uma carreira internacional, a CEO da Carpediem RH, Aliesh Costa, e a advogada especialista em direito internacional, Rita de Cássia da Silva, explicam como identificar fraudes.
Sinais de alerta:
Para Aliesh Costa, o primeiro sinal de erro é a facilidade excessiva. Se uma vaga oferece salário muito alto para quem tem pouca experiência ou não exige requisitos claros, desconfie. Outros pontos de atenção são:
Cobrança de taxas: Empresas sérias nunca cobram dinheiro do candidato para participar de processos seletivos, emitir vistos ou fazer treinamentos.
Falta de clareza: Quando o recrutador não diz o nome da empresa, a função exata ou o país de destino, o risco é alto.
Pressão por uma decisão: Golpistas criam uma “urgência artificial” para que você não tenha tempo de pesquisar ou pensar.
Canais informais: Se a conversa acontece apenas por aplicativos de mensagem (como WhatsApp) e o recrutador foge de contratos formais, caia fora.
A diferença entre recrutamento real e golpe

Um processo de seleção verdadeiro é transparente e cheio de etapas documentadas. Aliesh Costa explica que empresas honestas apresentam o contrato antes mesmo de você sair do Brasil e cuidam de toda a parte legal de vistos.
A advogada Rita de Cássia da Silva reforça que essas vagas falsas não são apenas “enganos”, mas crimes graves. “Muitas vezes, a vaga já nasce dentro do conceito de tráfico de pessoas”, afirma. Ela destaca que o crime acontece quando há:
Abuso da necessidade financeira da pessoa.
Engano sobre as condições de trabalho.
Servidão por dívida: Quando o trabalhador já chega ao país devendo passagens e documentos ao patrão e nunca consegue pagar.
O golpe pode esconder situações terríveis, como trabalho forçado, exploração sexual e até o uso de pessoas como “mulas” para o tráfico de drogas. A advogada Rita explica que o padrão de crime inclui:
Confiscar o passaporte da vítima.
Vigilância constante e ameaças.
Isolamento total em cidades do interior, longe de redes de apoio.
O papel do RH na prevenção a falsas oportunidades de trabalho

Aliesh Costa reforça que quem está em dificuldade financeira acaba perdendo um pouco da capacidade de análise crítica diante de promessas sedutoras. Por isso, o RH tem o papel essencial de educar e orientar sobre processos seguros, ajudando a quebrar esse ciclo de exploração.
Guia prático para se proteger
Antes de aceitar qualquer proposta digital, siga estes passos sugeridos pelas especialistas:
- Investigue a empresa: Busque o CNPJ, site oficial, redes sociais profissionais e registros legais. Se a empresa não tem rastro na internet, ela provavelmente não existe.
- Exija contrato escrito: Nunca viaje sem um documento assinado que detalhe o salário e as condições, e que esteja de acordo com as leis da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
- Cheque o visto: Uma empresa séria não pedirá que você viaje com visto de turista para trabalhar. Isso é ilegal e deixa você sem proteção jurídica.
- Não pague nada: Se pedirem dinheiro adiantado para “garantir a vaga” ou “processar documentos”, interrompa o contato.
- Fale com quem já está lá: Tente encontrar funcionários ou ex-funcionários da empresa para confirmar se a oportunidade é real.

“Hoje os criminosos migraram para estratégias digitais que dão aparência de legitimidade. Como o contato acontece por plataformas que parecem profissionais, a pessoa facilmente acredita. Quando percebe o risco, já entregou documentos sensíveis ou já está fora do país”, alerta Rita. “Migrar para trabalhar é possível e legítimo, desde que seja feito por canais regulares. Quando o trabalhador entende seus direitos, ele se protege e reduz as chances de cair nessas redes.”, finaliza a especialista.