Número de desaparecidos na Venezuela chega a 188 após terremoto

O impacto dos fortes tremores na Venezuela indica mais de 40 mil desaparecidos em meio à destruição e buscas por sobreviventes na costa do país

Crédito: RS/FotosPúblicas

O rastro de destruição deixado por dois fortes tremores na Venezuela acendeu um alerta humanitário crítico na América do Sul. De acordo com dados levantados por uma plataforma da sociedade civil criada especificamente após a tragédia, o total de pessoas desaparecidas na Venezuela já pode passar de 40 mil. O balanço oficial aponta que o número de mortos confirmados subiu para 188, além de mais de 1.500 pessoas que precisaram ser hospitalizadas em decorrência do desastre.

O governo do país vizinho decretou estado de emergência para mobilizar as forças de segurança. Diante do cenário devastador, o presidente do Congresso Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou a escalada dos dados em pronunciamento oficial na última quinta-feira. Como o governo local ainda não estruturou um sistema oficial próprio de contagem para os desaparecidos na Venezuela, a população civil criou o site “Desaparecidos Terremoto Venezuela” para mapear as vítimas com dados como idade, sexo e última localização conhecida.

Destruição e colapso na região litorânea

Os abalos sísmicos ocorreram em um intervalo de apenas 39 segundos no início da noite de quarta-feira (24). O primeiro registro atingiu a magnitude de 7,2 na escala Richter e o segundo alcançou a marca de 7,5, tornando-se o sismo mais violento a golpear a Venezuela desde o ano de 1900. O epicentro do tremor mais forte se localizou em El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros da capital, Caracas.

A destruição concentrou-se severamente no estado litorâneo de La Guaira e nos arredores de Morón. Conforme os relatórios técnicos, os tremores foram classificados como “rasos” — originados a pouca profundidade da crosta terrestre —, o que maximizou a dissipação da energia diretamente na superfície e causou a queda em massa de edificações residenciais e comerciais.

“A quantidade de energia liberada foi imensa. Quanto mais rasos são os sismos, maior é o potencial de impacto e destruição nas áreas urbanas”, explicou Marcos Ferreira, geofísico e pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Resposta hospitalar e mobilização internacional

A infraestrutura de saúde na Venezuela sofreu um forte abalo estrutural. Pelo menos oito hospitais foram gravemente danificados na zona do desastre, forçando as equipes de resgate a transferirem centenas de pacientes às pressas para outras regiões menos afetadas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu uma estimativa de risco projetando que o número total de fatalidades na Venezuela pode oscilar entre 10 mil e 100 mil mortes a longo prazo, considerando a precariedade das habitações locais.

Em resposta à crise na Venezuela, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio imediato de uma missão humanitária de apoio ao país vizinho. O suporte do Brasil contará com equipes médicas especializadas e insumos de saúde emergenciais.

  • Publicado: 25/06/2026 22:28
  • Alterado: 25/06/2026 22:28
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Agência Brasil