NR-1 amplia responsabilidade das empresas sobre saúde mental
Nova regulamentação inclui riscos psicossociais no ambiente de trabalho e aumenta atenção a estresse, burnout e adoecimento emocional
- Publicado: 29/05/2026 17:48
- Alterado: 29/05/2026 17:48
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Mota Method
Por décadas, a discussão sobre segurança no trabalho esteve associada principalmente a acidentes físicos, equipamentos de proteção e condições estruturais dos ambientes corporativos. A partir da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), essa compreensão passa a incorporar uma dimensão que ganhou relevância crescente nos últimos anos: os impactos da saúde emocional na vida profissional.
A mudança, que entrou em vigor em 26 de maio de 2026, estabelece a necessidade de identificação, monitoramento e prevenção dos chamados riscos psicossociais dentro das organizações. Entre eles estão fatores relacionados ao estresse crônico, esgotamento emocional, ansiedade, conflitos interpessoais e outras situações capazes de comprometer a saúde dos trabalhadores e o funcionamento das equipes.
A atualização acompanha uma discussão que já vinha sendo conduzida em diferentes países e que ganhou força após a pandemia, quando empresas passaram a lidar de forma mais direta com temas como burnout, saúde mental e qualidade das relações de trabalho. A nova regulamentação transforma parte desse debate em responsabilidade formal das organizações, ampliando o olhar sobre o ambiente corporativo para além das questões operacionais.
Pressão constante desafia empresas e profissionais
A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 acontece em um período marcado por mudanças profundas nas dinâmicas de trabalho. Metas cada vez mais agressivas, conectividade permanente, jornadas fragmentadas e processos acelerados passaram a fazer parte da rotina de milhões de profissionais. Nesse contexto, especialistas observam que muitas empresas ainda concentram seus esforços em indicadores de produtividade sem avaliar adequadamente os impactos emocionais produzidos por esse modelo.
Há mais de duas décadas atuando com atletas de alto rendimento, executivos, empresários e organizações, o especialista em regulação emocional Sandro Mota acredita que os sinais de desgaste emocional já deixaram de ser situações isoladas para se tornarem um desafio recorrente dentro das corporações. “O que vemos hoje nas empresas não é apenas excesso de trabalho. Existe uma crise silenciosa de exaustão emocional. Muitas pessoas continuam funcionando, produzindo e performando, mas internamente já estão no limite. O futuro das empresas depende da capacidade de cuidar das pessoas de forma real, humana e preventiva”, afirma.
A avaliação acompanha uma percepção cada vez mais presente entre lideranças empresariais. O afastamento de profissionais por questões relacionadas à saúde mental, a dificuldade de retenção de talentos e o aumento dos conflitos internos passaram a ser vistos não apenas como questões individuais, mas também como fatores que impactam diretamente a sustentabilidade das organizações.
Com a NR-1 saúde emocional deixa de ser tema secundário

A atualização da NR-1 reforça uma mudança de mentalidade que já começava a ganhar espaço em setores mais atentos à gestão de pessoas. O cuidado emocional deixa de ser tratado exclusivamente como benefício corporativo e passa a integrar uma discussão mais ampla sobre prevenção, ambiente de trabalho e responsabilidade institucional.
Segundo Sandro Mota, o enfrentamento desse desafio exige uma mudança de postura por parte das empresas. “O cuidado emocional não deve existir apenas quando alguém adoece. Empresas que desejam crescer de forma sustentável precisam entender que saúde emocional também é estratégia, cultura e responsabilidade humana”, destaca.
A avaliação ganha relevância diante de um cenário em que a prevenção tende a assumir papel cada vez mais importante. Em vez de agir apenas quando o problema já se instalou, organizações começam a buscar mecanismos capazes de identificar fatores de risco antes que eles provoquem afastamentos, perdas de produtividade ou rupturas nas relações profissionais.
Empresas buscam novas formas de prevenção
A entrada em vigor da nova regulamentação também impulsiona a procura por programas voltados à gestão emocional, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento das relações dentro das equipes. É nesse contexto que surgem iniciativas voltadas à construção de ambientes corporativos mais preparados para lidar com os desafios emocionais da rotina profissional. Entre elas está o Mota Method, abordagem desenvolvida por Sandro Mota a partir de experiências acumuladas ao longo de mais de vinte anos de atuação.
O método reúne práticas relacionadas à respiração consciente, consciência corporal, regulação emocional e desenvolvimento de lideranças, especialmente em ambientes caracterizados por alta pressão, metas desafiadoras e tomadas de decisão constantes.
Como parte desse trabalho, o Mota Method anunciou uma iniciativa destinada a empresas com mais de 50 colaboradores. A proposta prevê apoio parcial ao investimento necessário para implementação das sessões corporativas, ampliando o acesso das organizações às atividades desenvolvidas pelo programa.
Segundo Sandro Mota, o desafio das empresas não está apenas em alcançar resultados, mas em criar condições para que esses resultados possam ser sustentados ao longo do tempo sem comprometer a saúde das pessoas. “Quando a empresa cuida das pessoas, as pessoas também cuidam da empresa. O futuro das organizações passa pela saúde emocional, pela qualidade das relações e pela capacidade de sustentar performance sem adoecimento”, afirma.
Uma mudança que vai além da legislação

A nova NR-1 estabelece obrigações regulatórias, mas também evidencia uma transformação que já vinha se consolidando no mercado de trabalho. Questões ligadas ao bem-estar emocional, antes tratadas como temas periféricos, passaram a ocupar espaço nas estratégias de gestão, retenção de talentos e desenvolvimento organizacional.
A discussão agora deixa de girar apenas em torno de produtividade e resultados imediatos. A capacidade de construir ambientes onde as pessoas consigam trabalhar sem adoecer emocionalmente passa a integrar o próprio conceito de sustentabilidade empresarial.