Nikolas Ferreira ataca STF em ato marcado por raio e feridos
Parlamentar finaliza protesto em Brasília com críticas a Moraes e Lula, mas não menciona as 72 vítimas atingidas por descarga elétrica.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
O deputado federal Nikolas Ferreira encerrou sua caminhada em Brasília neste domingo (25), consolidando um ato político voltado à anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O evento, que deveria ser uma recepção festiva após o trajeto iniciado em Paracatu (MG), foi atravessado por um incidente grave: um raio atingiu o local da concentração, deixando pelo menos 72 feridos e enviando 30 pessoas a hospitais da região.
A mobilização, planejada pela direita para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF), visava a libertação de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão. Apesar da gravidade do acidente climático, o parlamentar focou seu pronunciamento em ataques institucionais, sem citar diretamente as vítimas do raio em sua fala principal.
O discurso de Nikolas Ferreira e o silêncio sobre o acidente
Ao assumir o microfone, Nikolas Ferreira centralizou sua retórica em figuras do Judiciário e do Legislativo. O deputado exigiu a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPMIs) específicas e direcionou críticas nominais, ignorando o protocolo de solidariedade esperado após o incidente com os manifestantes.
“Davi Alcolumbre, você tem sido omisso neste país. Queremos a instalação da CPMI do INSS e da CPMI do Banco Master.”
A estratégia discursiva buscou inflamar a base presente, composta por apoiadores que viajaram de diversas regiões. Sob chuva intensa, o parlamentar instigou o público contra o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula, afirmando que o “Brasil não tem medo” de ambos.
Para evitar confrontos diretos com as forças de segurança ou novos incidentes na região dos prédios públicos, Nikolas Ferreira orientou que a multidão permanecesse contida, ordenando: “Ninguém deve descer na Esplanada”.
Ausências notáveis e bastidores
O ato evidenciou desfalques importantes na linha de frente do bolsonarismo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não subiu ao palco. Embora tenha encontrado o deputado pela manhã para uma oração, justificou sua ausência no evento principal alegando compromissos domésticos, especificamente o preparo do almoço para o marido.
Outras figuras centrais também não compareceram:
- Pastor Silas Malafaia: Convidado, mas ausente.
- Senador Flávio Bolsonaro: Em viagem a Jerusalém, limitou-se ao apoio virtual.
- Valdemar Costa Neto: O presidente do PL marcou presença discreta, vestindo capa de chuva amarela.
Repercussão política e riscos legais
A condução do evento por Nikolas Ferreira gerou reações imediatas da oposição. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a organização como irresponsável e anunciou medidas legais. A intenção é acionar a Polícia Federal para investigar a responsabilidade dos organizadores diante dos riscos assumidos ao manter a aglomeração sob tempestade.
Segundo Lindbergh, o parlamentar mineiro teria caminhado pela rodovia BR-040 sem a devida comunicação às autoridades, fechando pistas e expondo vidas ao perigo.
O perfil dos manifestantes
Apesar das condições climáticas adversas, o público manteve-se fiel. André Ricardo Gomes Natário, empresário que percorreu 50 quilômetros para o ato, resumiu o sentimento geral, citando “princípios familiares e religiosos” como motivação.
Em meio a orações e ao Hino Nacional, muitos apoiadores de Nikolas Ferreira subiram em árvores e estruturas precárias para visualizar o palco, enquanto ambulantes comercializavam itens com slogans contra o atual governo. A insistência no ato, mesmo após o raio, demonstra a capacidade de mobilização da ala conservadora, ainda que sob críticas severas quanto à segurança dos participantes.
O encerramento do protesto marca mais um capítulo na polarização nacional, com Nikolas Ferreira se posicionando como porta-voz central das demandas pela anistia, a despeito das polêmicas envolvendo a segurança do evento.