Exercícios de alto impacto podem agravar doenças oculares
Saiba por que atividades intensas agravam quadros de Degeneração Macular e Retinopatia e veja opções seguras indicadas por médicos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
O diagnóstico de doenças oculares demanda atenção redobrada não apenas no tratamento clínico, mas também na escolha da rotina de atividades físicas. Manter o corpo em movimento é vital para preservar a autonomia, fortalecer a musculatura e garantir qualidade de vida durante o envelhecimento. Contudo, a seleção da modalidade esportiva deve respeitar rigorosamente as condições visuais do paciente para evitar complicações irreversíveis.
Especialistas alertam que o esforço excessivo pode ser prejudicial em quadros específicos. Na área de saúde da visão, enfermidades como a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e a Retinopatia Diabética Proliferativa (RDP) requerem adaptações imediatas na rotina de treinos.
O Prof. Dr. Michel Farah, oftalmologista do H.Olhos Unidade CEOSP (rede Vision One), é enfático sobre os riscos. “Os pacientes devem evitar os exercícios de alto impacto, que exijam muito esforço ou que coloquem a pessoa em posição invertida, pois oferecem risco para a visão”, explica o médico.
Como as doenças oculares reagem ao esforço intenso
Entender a mecânica dessas patologias esclarece o motivo da restrição. A DMRI afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura e reconhecimento de faces. Ela se manifesta de duas formas:
- Seca: Mais comum, com progressão lenta.
- Úmida: Mais grave, caracterizada pelo crescimento anormal de vasos sanguíneos.
Pacientes com esses quadros percebem manchas escuras no centro da visão ou distorção em linhas retas. O impacto físico excessivo pode acelerar processos degenerativos nessas estruturas sensíveis.
Já a RDP surge como uma complicação avançada do diabetes. A doença fragiliza os vasos da retina devido à falta de oxigenação, estimulando a formação de novos vasos sanguíneos débeis. Esforços bruscos aumentam a pressão interna, o que pode romper esses vasos, causando hemorragias ou descolamento de retina.
Muitas pessoas desconhecem que certas doenças oculares podem permanecer assintomáticas inicialmente, manifestando-se apenas com moscas volantes ou flashes de luz quando o quadro já é grave.
Práticas contraindicadas para pacientes com doenças oculares
Para proteger a integridade da retina e evitar a cegueira, o Dr. Michel Farah lista atividades que devem ser excluídas da rotina de quem convive com esses diagnósticos:
- Esportes de choque: Modalidades como boxe, lutas diversas, futebol e basquete aumentam o risco de traumas diretos na face.
- Musculação extrema: Levantamento de cargas elevadas ou exercícios que exigem a “manobra de Valsalva” (prender a respiração para fazer força) elevam perigosamente a pressão intraocular.
- Posições invertidas: Práticas de Yoga ou Pilates que mantêm a cabeça para baixo aumentam a pressão vascular na região dos olhos.
- Alterações de pressão: Atividades como mergulho e montanhismo em grandes altitudes.
O caminho seguro para se exercitar
O diagnóstico de doenças oculares não deve ser uma sentença de sedentarismo. Pelo contrário, o exercício moderado é um aliado, pois melhora a circulação sanguínea e auxilia na oxigenação dos tecidos oculares.
A recomendação médica prioriza atividades aeróbicas de baixo impacto. Caminhadas, ciclismo em terreno plano e dança são excelentes opções. A natação também é indicada, desde que praticada com óculos folgados para não comprimir o globo ocular.
O acompanhamento multidisciplinar é a chave para o sucesso. A escolha da atividade deve ocorrer em conjunto com o oftalmologista, garantindo que os benefícios cardiovasculares não custem a saúde da visão.
Exames de rotina anuais, especialmente após os 40 anos, são fundamentais. O diagnóstico precoce continua sendo a melhor ferramenta para retardar a progressão de graves doenças oculares.