Nava aponta 4 técnicas usadas em ataques cibernéticos
Nava revela que cibercrime usa inteligência artificial e foca na cooptação e no erro humano para invadir sistemas de grandes empresas
- Publicado: 20/10/2026 17:48
- Alterado: 20/10/2026 17:49
- Autor: Daniela Ferreira
O avanço dos investimentos corporativos em criptografia e barreiras digitais de defesa não tem impedido o crescimento das invasões a sistemas de grandes empresas. Um diagnóstico publicado pela empresa de tecnologia Nava aponta que o cibercrime migrou suas estratégias para focar na conveniência, nas brechas de processos e na exploração do fator humano, impulsionado pelo uso de inteligência artificial na automação de golpes contra setores como varejo e mercado financeiro.
Quatro técnicas mais utilizadas em ataques corporativos

A vertical de cibersegurança da Nava mapeou as quatro abordagens mais recorrentes utilizadas por grupos criminosos para contornar defesas corporativas tradicionais:
- Troca de chip (SIM Swap): A ativação fraudulenta da linha telefônica do usuário em outro chip permite que invasores zelem a autenticação de dois fatores (MFA) baseada em SMS, explorando fragilidades de operadoras de telefonia para sequestrar contas e acessos restritos.
- Dispositivos ocultos (Shadow Devices): Instalação física de microcomputadores não autorizados, como placas Raspberry Pi ou roteadores MikroTik, em áreas públicas ou corporativas de lojas e agências. Sem controle rígido de acesso à rede (NAC), esses pontos criam túneis silenciosos para a invasão da infraestrutura interna.
- Cooptação de colaboradores: Aliciamento de funcionários por incentivos financeiros ou coerção para a instalação de programas maliciosos e compartilhamento de senhas, permitindo que criminosos ingressem nos sistemas utilizando credenciais válidas.
- Falso suporte de TI: Golpes de engenharia social em que invasores se passam por técnicos da equipe de TI corporativa para convencer funcionários a conceder privilégios de acesso remoto, explorando falhas nas políticas de suporte e no treinamento de equipes.
Inversão de prioridades e recomendações de segurança
Segundo Carlos Afonso, vice-presidente de Operações de Cibersegurança da Nava, o cenário aponta que os invasores preferem utilizar credenciais legítimas a tentar derrubar sistemas de proteção reforçados.

“O atacante não tenta derrubar o muro, mas caminha pela porta da frente, usando a identidade de quem deveria proteger a entrada. A combinação de técnicas conhecidas com fragilidades em processos e autenticação mantém alta taxa de sucesso e continua colocando as pessoas no centro dos ataques”, pontua Afonso.
Para mitigar os riscos, a consultoria recomenda a substituição do SMS por métodos de autenticação em dois fatores resistentes a mecanismos de phishing, a adoção de políticas rigorosas para validação de suporte remoto e o monitoramento contínuo da rede física e digital para a detecção de dispositivos não homologados.