Mulheres ganham 21% menos que homens, mostra novo relatório federal

Relatório do governo mostra que mulheres ganham menos que homens; disparidade é ainda maior entre pessoas negras e brancas

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A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil voltou a aumentar em 2023. De acordo com o segundo relatório de transparência salarial do governo federal, divulgado pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres, as brasileiras receberam, em média, 20,7% menos do que os homens no período analisado.

O levantamento foi feito com base em informações enviadas por mais de 50 mil empresas com cem ou mais funcionários, conforme previsto na lei de igualdade salarial sancionada em 2023.

Crescimento de empregos femininos, mas com salários menores

Segundo a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, o aumento da diferença se deve, em parte, ao fato de que a maior parte das novas vagas ocupadas por mulheres em 2023 foi em setores com remunerações mais baixas.

“Houve um forte crescimento da geração de empregos para elas, mas são vagas que pagam menos. Esses postos precisam de salários maiores”, afirmou Montagner.

O relatório mostra que a remuneração média feminina foi de R$ 3.565,48, enquanto a dos homens atingiu R$ 4.495,39. Em cargos de direção e gerência, a desigualdade é ainda mais expressiva: 27% de diferença salarial, número superior ao registrado em 2022 (25,2%).

Mulheres negras enfrentam maior desvantagem

A desigualdade cresce ainda mais quando o levantamento é analisado sob a ótica racial. As mulheres negras recebem, em média, metade do salário dos homens brancos — apenas 50,2% da remuneração. Enquanto o rendimento médio das mulheres negras foi de R$ 2.745,76, o dos homens não negros chegou a R$ 5.464,29.

De acordo com Montagner, essa diferença reflete a concentração delas em funções de base, como serviços domésticos, limpeza, alimentação e saúde básica, enquanto os homens predominam em indústrias, cargos públicos e posições de liderança.

Fiscalização e incentivo às boas práticas

O governo afirma que pretende usar os dados para incentivar boas práticas empresariais e reduzir as desigualdades. Empresas com resultados positivos serão convidadas a compartilhar suas experiências.

A legislação prevê multas de até 3% da folha de pagamento (limitadas a cem salários mínimos) para empresas que não divulgarem seus relatórios de transparência salarial, embora nenhuma penalidade tenha sido aplicada até o momento.

Além disso, o Ministério das Mulheres lançará o Plano Nacional de Igualdade Salarial e Laboral entre Mulheres e Homens, que reúne 79 ações voltadas à ampliação da participação feminina no mercado de trabalho e à valorização profissional das mulheres.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/11/2025
  • Fonte: FERVER