Mulheres ganham 20% menos, mesmo com maior escolaridade, segundo Censo
Dados do Censo 2022 do IBGE revelam que a disparidade salarial de gênero chega a 37,5% para quem tem diploma.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 09/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
A desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil é um abismo persistente, mesmo com o avanço educacional feminino. Uma análise aprofundada do Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que, embora as mulheres representem a maioria com ensino superior completo no mercado de trabalho (28,9%), seus rendimentos ainda são significativamente menores.
Em números concretos, o salário médio mensal delas era de R$ 2.506, enquanto o dos homens alcançava R$ 3.115 — uma diferença de 19,6%. Especialistas afirmam que essa disparidade não se justifica apenas pela escolha de carreira, mas reflete um viés de gênero estrutural que penaliza as trabalhadoras, mesmo quando possuem qualificações idênticas ou superiores às de seus colegas do sexo masculino.
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Diferença salarial aumenta com diploma
O cenário se agrava ao analisar o topo da pirâmide educacional. Mulheres com graduação concluída recebiam, em média, R$ 4.591 por mês. Este valor é 37,5% inferior ao rendimento médio dos homens com o mesmo nível de escolaridade, que chegava a R$ 7.347.
O pesquisador Marcos Hecksher, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aponta que a concentração feminina em setores com menor remuneração, como pedagogia e enfermagem, é um fator determinante. “Embora a educação superior seja um fator positivo, as oportunidades de ascensão profissional permanecem limitadas para as mulheres“, comenta Hecksher.
Marcelo Neri, diretor da FGV Social, complementa a análise, indicando que as diferenças de ganhos se acentuam nas faixas de renda mais altas. Mesmo sendo maioria nas universidades, as mulheres não conseguem converter o diploma em paridade salarial no mercado.
Recorte racial aprofunda o abismo
A desigualdade no Brasil também tem uma forte marca racial. O Censo 2022 demonstrou que trabalhadores amarelos (R$ 5.942) e brancos (R$ 3.659) possuem rendimentos médios muito superiores aos de pardos (R$ 2.186), pretos (R$ 2.061) e indígenas (R$ 1.683).
Entre os profissionais com ensino superior, a disparidade é ainda mais gritante:
- Amarelos: R$ 8.411
- Brancos: R$ 6.547
- Pardos: R$ 4.559
- Pretos: R$ 4.175
- Indígenas: R$ 3.799
Os dados mostram que um trabalhador indígena com diploma universitário ganhava, em média, menos da metade do que um trabalhador amarelo com a mesma formação.

Legislação e outras fontes de renda
Em uma tentativa de mitigar o problema de gênero, o governo federal sancionou em julho de 2023 uma lei que visa garantir a paridade salarial para funções equivalentes. No entanto, a medida ainda enfrenta obstáculos jurídicos para sua plena implementação.
O Censo também analisou a renda domiciliar per capita, que inclui fontes como aposentadorias e benefícios sociais. Nesse quesito, a média nacional foi de R$ 1.638. A diferença entre homens (R$ 1.665) e mulheres (R$ 1.613) foi considerada pequena pelo IBGE, mas a disparidade racial permaneceu evidente, com a renda dos brancos (R$ 2.207) sendo quase o dobro da população preta (R$ 1.198) e parda (R$ 1.190).
É importante notar que os valores são nominais e os dados, preliminares, podendo sofrer ajustes futuros pelo IBGE.