Mulher imobilizada na Paulista denuncia ação violenta da PM

Defesa de mulher imobilizada acusa policiais de violência e registra queixa na Corregedoria

Crédito: Reprodução/Eduardo Suplicy

O advogado Rogério Carmo criticou a atuação da Polícia Militar na abordagem de Jussara Silva, imobilizada durante uma ocorrência na Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo ele, a ação foi “abusiva, ilegal e desproporcional”. A defesa formalizou denúncia contra os agentes envolvidos junto à Corregedoria da corporação, onde a mulher prestou depoimento acompanhada de uma testemunha que registrou a abordagem em vídeo.

De acordo com Carmo, não há evidências de que Jussara estivesse armada ou tenha feito ameaças, como apontado inicialmente. Ele afirma que o boletim de ocorrência registra apenas crime de dano, sem menção formal a ameaça. Ainda segundo o advogado, a própria representante da empresa envolvida não demonstrou interesse em prosseguir com esse tipo de acusação.

Vídeo mostra abordagem e reação de criança

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que Jussara é contida por policiais enquanto pede ajuda. Ao lado dela, a filha pequena acompanha a cena chorando. O caso gerou repercussão e levantou questionamentos sobre a conduta dos agentes.

Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada para atender a uma ocorrência de desentendimento. Segundo a corporação, a mulher teria danificado uma porta de vidro e ameaçado funcionários de um escritório após discordar de valores relacionados à rescisão de um contrato de trabalho.

Versão da defesa aponta erro em rescisão trabalhista

A defesa sustenta que Jussara esteve no local para formalizar a rescisão de um vínculo empregatício de quatro dias. De acordo com o advogado, ela teria sido levada a acreditar que receberia pelos dias trabalhados, mas foi informada apenas após a assinatura dos documentos que não teria valores a receber devido a descontos não explicados.

Diante da situação, Jussara teria reagido danificando a porta do estabelecimento. Para Carmo, o ato foi motivado por desespero diante da suposta irregularidade. Ele argumenta que a reação não justifica o uso de força considerado excessivo por parte dos policiais.

Caso levanta debate sobre abordagem policial

A defesa afirma que o episódio não é isolado e reflete problemas estruturais na forma como trabalhadores, especialmente pessoas negras, são tratados ao reivindicar direitos. A investigação agora segue na Corregedoria da Polícia Militar, que deve apurar a conduta dos agentes envolvidos.

O caso permanece em análise e pode resultar em medidas administrativas ou judiciais, a depender das conclusões das autoridades competentes.

  • Publicado: 12/04/2026 19:47
  • Alterado: 12/04/2026 19:47
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress