Mudanças à vista nas arquidioceses brasileiras após a eleição de Leão XIV

Papa Leão XIV: O primeiro pontífice norte-americano pode revolucionar a liderança católica no Brasil

Crédito: FotosPúblicas

O novo papa Leão XIV, escolhido na última quinta-feira, 8, a partir do cardeal Robert Prevost, marca um momento histórico ao se tornar o primeiro pontífice norte-americano. Sua trajetória como missionário no Peru pode influenciar mudanças significativas nas lideranças das principais arquidioceses do Brasil, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, além de Aparecida (SP), onde se localiza o maior templo católico do país.

Com a aposentadoria iminente ou a superação da idade limite de 75 anos por parte dos arcebispos nessas regiões, novas indicações poderão ser feitas. Em São Paulo, o cardeal Odilo Pedro Scherer já apresentou sua carta de renúncia ao completar 75 anos no ano passado; embora o papa Francisco tenha solicitado que ele continue no cargo até 2026.

Na arquidiocese de Aparecida, Dom Orlando Brandes, que já ultrapassou os 79 anos, teve sua permanência autorizada até completar 80 anos no próximo ano. No Rio de Janeiro, o cardeal Orani João Tempesta deve apresentar sua carta de renúncia em junho de 2025, quando atinge a mesma idade, cabendo ao novo papa decidir sobre uma possível extensão de seu mandato.

Os cardeais Scherer e Tempesta estiveram entre os sete representantes brasileiros que participaram do conclave que levou à eleição de Leão XIV. Além deles, Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e também eleitor no conclave, completará 75 anos em 6 de novembro deste ano e deverá seguir o mesmo processo.

A escolha dos novos arcebispos para estas importantes cidades brasileiras poderá refletir as diretrizes que o novo papa deseja implementar na Igreja. O teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que “o perfil do arcebispo vai indicar o tipo de igreja que o novo papa espera. O arcebispo é alguém de confiança e que representa a visão de mundo do papa”.

Durante o pontificado de Francisco, houve um notável foco em nomeações que refletem uma atenção especial às regiões periféricas, como demonstrado pela designação de Dom Leonardo Steiner para Manaus em 2019 e sua posterior elevação à condição de cardeal em 2022.

As três arquidioceses mencionadas desempenham um papel significativo no cenário nacional e possuem influência nas diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de atuarem em discussões internacionais relevantes.

Elias Wolff, professor do Programa de Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ressalta que essas sedes são cardinalícias e dirigidas por cardeais integrantes do alto escalão da Igreja Católica. No Brasil, apenas cinco arquidioceses possuem esse status: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Aparecida e Salvador.

O Colégio dos Cardeais tem um papel essencial na administração da Igreja e na escolha do Papa. Historicamente, os arcebispos das duas maiores cidades do país têm sido participantes ativos nos conclaves papais.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 09/05/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo