Nanopartículas de mRNA podem abrir caminho para a cura do HIV
Nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores australianos promete interromper a latência do vírus
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Pesquisadores da Austrália deram um passo importante na busca por uma possível cura do HIV. Um estudo publicado na revista científica Nature Communications, no final de maio, apresenta uma nova tecnologia de encapsulamento de RNA mensageiro (mRNA) em nanopartículas, capaz de reativar o vírus mesmo quando ele se encontra em estado de latência.
Esse estágio de latência é um dos principais desafios no tratamento do HIV, pois o vírus consegue permanecer escondido dentro das células do sistema imunológico, dificultando sua eliminação completa.
Segundo Claudio Cirne-Santos, pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), o avanço representa uma nova esperança. “Essa pesquisa nos desperta esperança de uma possível cura no futuro”, afirma.
Como funciona a nova abordagem com mRNA
Atualmente, os tratamentos antirretrovirais conseguem controlar a carga viral, impedindo a progressão da infecção para a Aids e reduzindo drasticamente o risco de transmissão.
No entanto, esses medicamentos não conseguem erradicar totalmente o HIV, justamente por causa do seu estado latente em células como os linfócitos T CD4+.
O novo método utiliza o mRNA para estimular a produção de proteínas capazes de interromper a latência do vírus, permitindo que o sistema imunológico, com apoio dos medicamentos já existentes, ataque as células infectadas.
Para garantir que o mRNA alcance as células certas, os cientistas desenvolveram nanopartículas feitas de lipídios. Em testes de laboratório, as nanopartículas conseguiram entregar duas proteínas de mRNA diretamente às células T CD4+.
Por enquanto, a tecnologia foi testada apenas em amostras de sangue e em células isoladas de pacientes infectados.
O próximo passo será realizar testes em animais para avaliar a segurança e a eficácia do tratamento antes de avançar para estudos clínicos em seres humanos.
Avanços na prevenção e tratamento do HIV
O estudo se soma a uma série de avanços recentes no enfrentamento ao HIV. Em dezembro passado, a Sociedade Internacional Antiviral dos Estados Unidos atualizou suas diretrizes sobre tratamento, manejo clínico e prevenção da infecção.
No Brasil, as estratégias de prevenção têm adotado o conceito de “prevenção combinada”, que busca adaptar diferentes métodos às necessidades individuais de cada pessoa.
A professora Monica Gomes, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), destaca a importância dessa abordagem. “Oferecer a prevenção que se adeque melhor à necessidade da pessoa parece ser a chave para o sucesso”, diz.
Além do uso da camisinha, o país também disponibiliza gratuitamente pelo SUS a profilaxia pré-exposição (PrEP), que consiste na ingestão diária de medicamentos por pessoas em situação de vulnerabilidade ao HIV.
Outro destaque é o desenvolvimento de novos medicamentos de ação prolongada, como o lenacapavir, que pode ser aplicado apenas duas vezes ao ano.
Testes clínicos realizados com mais de 3.000 participantes indicaram que o lenacapavir apresentou taxas de infecção menores do que os tratamentos tradicionais.
Diagnóstico precoce segue essencial
Especialistas reforçam que o tratamento precoce continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenção da transmissão. “Todos que recebem o diagnóstico devem iniciar a terapia o quanto antes, não apenas para proteger sua saúde, mas também para evitar a disseminação do vírus”, orienta Monica Gomes.
Com as novas tecnologias em desenvolvimento e o fortalecimento das políticas de prevenção, a ciência avança em direção a um futuro mais promissor no combate ao HIV.