Morre Bira Presidente, ícone do pandeiro e do samba, aos 88 anos

O sambista foi um dos fundadores do Cacique de Ramos e integrante histórico do Fundo de Quintal

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O mundo do samba perdeu, neste sábado (14), uma de suas maiores referências: Bira Presidente, nome artístico de Ubirajara Félix do Nascimento, faleceu aos 88 anos no Rio de Janeiro.

A confirmação foi feita pelo Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, que lamentou a perda do fundador, vítima de complicações relacionadas ao câncer de próstata e ao Alzheimer.

Mais do que um integrante do Fundo de Quintal, Bira foi um dos principais responsáveis por transformar o pandeiro em instrumento de destaque nas rodas de samba.

Sua trajetória começou oficialmente em 1961, quando, ao lado de amigos e familiares, criou o bloco Cacique de Ramos, na zona norte carioca. Seis meses após a fundação, assumiu a presidência da agremiação, posição que ocupou de forma vitalícia.

Do Cacique de Ramos ao Fundo de Quintal: a construção de um legado

O Cacique de Ramos rapidamente se tornou um espaço de efervescência cultural. Nos anos 1970, ao receber da prefeitura um terreno na Rua Uranos, o bloco ganhou uma sede própria.

Ali nasceram as famosas rodas de samba de quarta-feira, que revelaram nomes como Beth Carvalho, uma das grandes entusiastas do grupo.

Foi justamente a cantora que impulsionou a profissionalização dos músicos da casa. Ao convidá-los para participar do disco “De Pé no Chão”, em 1978, Beth deu visibilidade ao talento de Bira no pandeiro, de seu irmão Ubirany no repique de mão e de Sereno no tantã.

Dois anos depois, nascia oficialmente o Fundo de Quintal, grupo que se tornaria um dos mais respeitados do samba brasileiro.

Influência musical e reconhecimento ao longo de décadas

Bira Presidente se destacou por revolucionar a forma de tocar o pandeiro, especialmente ao adaptar o instrumento às novas exigências sonoras da indústria musical nos anos 1980, quando o grupo passou a contar com baterista.

Sua levada mais sincopada e a busca por um som mais harmonioso com os demais instrumentos consolidaram seu estilo.

Ao longo de sua carreira, o sambista acompanhou grandes nomes da música nacional, como Emílio Santiago e Zeca Pagodinho.

Além de ser reconhecido como intérprete, também teve algumas de suas composições gravadas, como “Andei, Andei”, pelo Fundo de Quintal, e “Vem Sambar”, na voz de Beth Carvalho.

Mesmo com o sucesso, Bira mantinha uma imagem de homem vaidoso e elegante, presença constante em eventos de escolas de samba e na sede do Cacique de Ramos.

Em 2019, afastou-se das apresentações devido a problemas de saúde nas mãos.

Em 2024, a família tornou público o diagnóstico de Alzheimer.

Nos últimos tempos, vivia com a filha Cristhian Kelly, atual diretora-geral do Cacique. Sua outra filha, Karla Marcelly, é vice-presidente da agremiação.

O samba se despede de uma figura fundamental, cuja contribuição ajudou a moldar o gênero e influenciar gerações de músicos.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 15/06/2025
  • Fonte: Fever