MP do TCU quer impedir renovação de contrato da Enel

Falhas graves no fornecimento de energia em São Paulo motivam pedido de suspensão de atos da Aneel.

MP do TCU quer impedir renovação de contrato da Enel

Crédito: Reprodução

O Ministério Público no Tribunal de Contas da União (MPTCU) formalizou, na última sexta-feira (12), uma recomendação para suspender quaisquer atos administrativos voltados à renovação do contrato da Enel com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A medida visa impedir a continuidade da concessão enquanto persistirem os problemas na prestação do serviço.

No parecer, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado foi enfático ao classificar a situação como uma violação à Constituição, citando “falhas graves” na distribuição de energia elétrica em São Paulo. Furtado solicitou uma avaliação técnica imediata da equipe do TCU, reforçando o papel preventivo e fiscalizador do órgão para evitar a manutenção de concessões que não cumprem os requisitos legais.

O documento, que aguarda análise da presidência do tribunal, argumenta que eventos climáticos severos não podem ser tratados como imprevisíveis. Segundo o subprocurador, áreas como São Paulo possuem um histórico conhecido de chuvas intensas e ventos fortes, exigindo preparação adequada da Enel.

Impactos do apagão na Grande São Paulo

A recomendação ocorre em meio a um cenário crítico. A região metropolitana de São Paulo enfrenta um apagão prolongado após a passagem de um ciclone extratropical, que trouxe rajadas de vento de até 100 km/h. Os prejuízos para a população são extensos:

  • Domingo (14): Cerca de 160 mil residências permaneciam sem luz.
  • Sábado (13): Mais de 470 mil imóveis foram afetados.
  • Pico da crise (Quarta, 10): A falta de energia atingiu mais de 2 milhões de propriedades.

Além da escuridão, a tempestade causou queda de árvores, cancelamento de voos e desabastecimento de água, uma vez que a Sabesp ficou impossibilitada de operar diversas estações sem eletricidade.

Medidas judiciais e risco de intervenção

Diante da demora no restabelecimento do serviço, a Justiça determinou, na noite de sexta-feira, que a Enel normalizasse o fornecimento imediatamente, estipulando uma multa de R$ 200 mil por hora em caso de descumprimento. A distribuidora, contudo, alegou ausência de notificação oficial e reiterou que suas equipes seguem trabalhando ininterruptamente.

A crise atual fortalece a tese de intervenção. No início do mês, a área técnica do TCU já havia sugerido à Aneel a possibilidade de intervir na concessão da Enel até 2028. O relatório técnico apontou as frequentes interrupções no serviço como um fator decisivo, propondo estudos aprofundados sobre os riscos e consequências da gestão atual.

Existe um conflito evidente entre as esferas municipal e estadual contra o governo federal a respeito da administração da companhia, que pleiteia uma renovação contratual por mais 30 anos.

Posicionamento da concessionária

Questionada sobre o cenário, a empresa defendeu sua atuação. A Enel assegurou cumprir rigorosamente todas as obrigações regulatórias e contratuais. A companhia destacou ainda um plano de recuperação apresentado à Aneel em 2024.

Sobre as críticas, a Enel afirmou: Ao longo do ano, temos mantido uma trajetória contínua de melhoria e todas as ações implementadas são acompanhadas mensalmente pelo regulador.”

  • Publicado: 14/12/2025 15:36
  • Alterado: 14/12/2025 15:36
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: MPTCU