Exposição no Butantan destaca impacto das doenças negligenciadas no Brasil
Mostra gratuita apresenta pesquisa científica, memória histórica e educação em saúde pública no combate a doenças que ainda afetam milhões de brasileiros
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 20/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Enquanto parte do mundo ainda associa ciência apenas a laboratórios fechados e artigos técnicos, o Instituto Butantan opta por abrir suas portas, traduzir o conhecimento e colocá-lo em contato direto com a população. Em cartaz até 31 de janeiro, no Parque da Ciência, a exposição “A Importância do Instituto Butantan no Passado e no Presente das Doenças Negligenciadas“ propõe um mergulho profundo e acessível em um dos maiores desafios da saúde pública brasileira.
A mostra lança luz sobre enfermidades historicamente invisibilizadas, como a doença de Chagas, a leptospirose e a esquistossomose, que seguem afetando milhares de pessoas, sobretudo em contextos de desigualdade social, ausência de saneamento básico e vulnerabilidade ambiental.
Ciência, memória e território em diálogo direto com o público

Instalada no espaço do Paiol, a exposição reúne 20 painéis expositivos que articulam diferentes camadas do conhecimento. O visitante tem acesso ao estado atual das pesquisas sobre as doenças negligenciadas, compreendendo modos de transmissão, ciclos dos parasitas, sintomas clínicos e estratégias de prevenção, ao mesmo tempo em que entra em contato com registros históricos de campanhas de comunicação voltadas à população.
Parte desse acervo histórico vem do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, trazendo cartazes, imagens e materiais que revelam como o enfrentamento dessas doenças sempre esteve ligado à informação, à educação sanitária e à ação do Estado. O percurso evidencia que ciência e comunicação caminham juntas quando o objetivo é salvar vidas.
A curadoria e idealização são assinadas pela pesquisadora científica Maisa Splendore Della Casa, do Instituto Butantan, que concebeu a mostra como um espaço de aprendizado não linear. O visitante escolhe seu próprio ritmo, estabelece conexões pessoais com os temas e constrói conhecimento de forma ativa, longe do formato tradicional de aulas expositivas.
Experiência sensorial transforma dados em compreensão real

Um dos grandes diferenciais da exposição sobre as doenças negligenciadas está na aposta em elementos lúdico-pedagógicos e táteis, que transformam conceitos científicos em experiências concretas. Uma parede de pau-a-pique reproduz o ambiente onde o barbeiro, vetor da doença de Chagas, costuma se alojar. Já uma lagoa cenográfica simula o ciclo do Schistosoma mansoni, parasita responsável pela esquistossomose, popularmente conhecida como “doença do caramujo”.
Outro cenário impactante reproduz uma enchente, com chão de lama artificial, representando o ambiente propício à contaminação pela bactéria Leptospira, presente na urina de ratos. A proposta não é chocar, mas ensinar pelo corpo, aproximando o visitante das realidades que explicam por que essas doenças seguem tão presentes no Brasil.
Instituto Butantan como agente de resposta coletiva

Ao longo do percurso, a exposição revela a atuação histórica do Instituto Butantan no enfrentamento das doenças negligenciadas, conectando passado e presente da ciência brasileira. O visitante acompanha como a pesquisa, a produção de conhecimento e a formação de profissionais foram decisivas para compreender essas doenças negligenciadas pelas políticas públicas, mas recorrentes no cotidiano da população mais vulnerável.
Parte do conteúdo dedicado à doença de Chagas, por exemplo, nasce diretamente da pesquisa acadêmica recente. Estudos apresentados em congressos científicos nacionais foram adaptados para o espaço expositivo, traduzindo o rigor científico em informação acessível, sem perder complexidade nem relevância.
Outro ponto de destaque da mostra é a forma como ela propõe uma leitura ampliada da saúde pública ao incorporar o conceito de “Uma Só Saúde,” que reconhece a relação direta entre saúde humana, animal e ambiental, dessa forma, convidando o público a refletir sobre como saneamento, meio ambiente, educação e ciência caminham juntos no combate às doenças negligenciadas.
Serviço:
Exposição: A Importância do Instituto Butantan no Passado e no Presente das Doenças Negligenciadas
Período: até 31 de janeiro
Horário: terça a domingo, das 10h às 16h
Local: Paiol – Parque da Ciência Butantan (em frente ao Centro de Difusão Científica)
Endereço: Av. Vital Brasil, 1.500 – São Paulo
Entrada: gratuita