Mortes de motociclistas em alta levam Detran-SP a nova campanha
Iniciativa aposta em mudança de comportamento dos motociclistas e alerta para os riscos da velocidade
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 01/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) lançou em setembro a campanha “Não corra. A velocidade não perdoa”, voltada a motociclistas, público que hoje concentra a maior parte das vítimas fatais no trânsito paulista.
O movimento surge como resposta ao crescimento de 12% nas mortes registradas em 2024, quando o estado contabilizou 2.630 óbitos em acidentes viários.
Segundo levantamento do InfoSiga-SP, os motociclistas representam 43% de todas as vítimas fatais. A análise também aponta que 38% dos sinistros com motos não envolveram outros veículos, reforçando que o excesso de velocidade é fator determinante.
Foco no excesso de velocidade
Para a diretora de Segurança Viária do Detran-SP, Roberta Mantovani, a escolha do tema foi estratégica. “A velocidade é um dos principais fatores de risco dos ilícitos de trânsito envolvendo motociclistas no estado de São Paulo. O nosso objetivo é alertar para que, ao controlar a velocidade, ao fazer manobras mais seguras, o motociclista consiga evitar sinistros que possam levar ao óbito ou deixar lesões definitivas”.
Ela lembra que pequenas variações na velocidade podem fazer diferença significativa em um acidente. “O aumento de 50 para 60 km por hora aumenta potencialmente o risco da gravidade da colisão e o risco de óbito, enquanto que aumenta em segundos o tempo de chegada ao destino”.
Estratégia baseada em dados
A campanha foi elaborada em parceria com a Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária Global (BIGRS) e com apoio técnico da Vital Strategies. Segundo o Detran, a formulação seguiu uma metodologia de ciclo completo: partiu da análise de dados, passou por consultas ao público-alvo e seguirá com avaliação de impacto após a veiculação.
Roberta Mantovani destaca que a preparação envolveu um processo de escuta junto aos motociclistas. “Essa campanha partiu de um olhar para os dados do InfoSiga e teve como ação anterior a realização de um teste de mensagens com esse público, para entender quais seriam as mensagens que mais teriam aderência”.
Depoimentos reais como ferramenta
As peças da campanha foram produzidas em diversos formatos, filme principal para TV, spots de rádio, anúncios em mídia digital e mobiliário urbano. Um dos vídeos é protagonizado por Bruno Santos, motociclista que sobreviveu a um sinistro e hoje está em cadeira de rodas. Ele afirma: “Você está tendo a chance de aprender isso neste vídeo. Eu aprendi aqui, nesta rua”.
De acordo com os responsáveis pela estratégia, o formato de depoimento real mostrou-se mais eficaz do que mensagens genéricas, especialmente ao abordar temas como culpa e impacto familiar.
Educação, comunicação e fiscalização
Além da comunicação, a ação será acompanhada por operações de fiscalização em pontos estratégicos, como vias com grande fluxo de motocicletas e locais com altos índices de sinistros.
“As ações de educação e fiscalização são distribuídas em todo o território do Estado por intermédio das nossas superintendências e ocorrem em locais de grande concentração de fluxo de motociclistas, em locais com alta sinistralidade”.
Segundo o Detran, a meta é atingir até novembro 70% da população ao menos uma vez e 60% ao menos três vezes, ampliando a percepção de risco e de fiscalização.
Impacto esperado
A expectativa é de que a campanha provoque mudança real de comportamento entre motociclistas. “A ideia é que depois de um mês de realização da campanha, a gente faça uma avaliação posterior para entender o quanto essa mensagem de fato chegou e implicou numa mudança de comportamento”.
Roberta reforça que o princípio norteador da ação é o de sistema seguro, que combina educação, comunicação e fiscalização para prevenir sinistros. “A velocidade não perdoa, nenhuma morte pode ser aceitável no trânsito e nós sabemos que todos os sinistros podem ser prevenidos”.
Trânsito como prioridade pública
Para especialistas em segurança viária, campanhas como essa são importantes não apenas pela conscientização individual, mas pelo impacto social e econômico. Em 2024, só na cidade de São Paulo, os sinistros geraram perda de produtividade superior a R$ 3,3 milhões.
Com a circulação das peças até novembro e a avaliação de impacto prevista, o Detran-SP pretende consolidar uma política de comunicação integrada a dados e fiscalização.