Morre Jimmy Cliff, ícone do reggae, aos 81 anos
Artista jamaicano sofreu uma convulsão após complicações de pneumonia; sua obra levou a Jamaica ao mundo e influenciou gerações de artistas
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 24/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Um dos maiores nomes da história do reggae mundial, o jamaicano Jimmy Cliff morreu aos 81 anos após sofrer uma convulsão em decorrência de um quadro de pneumonia, conforme confirmou sua esposa, Latifa, em publicação nas redes sociais. Ícone global da música e da cultura jamaicana, o cantor deixa um legado que atravessa gerações, continentes e movimentos sociais.
Latifa destacou o carinho que o artista sempre alimentou por seu público e agradeceu a todos que acompanharam sua trajetória ao longo das décadas. “Sou grata à sua família, amigos, colegas artistas e companheiros de trabalho que compartilharam essa jornada com ele. A todos os seus fãs ao redor do mundo, saibam que o apoio de vocês foi sua força durante toda a carreira. Ele realmente valorizava cada fã pelo amor que recebia”, escreveu.
Confira o comunicado:

Quem foi Jimmi Cliff
Nascido em Saint James, na Jamaica, Jimmy Cliff começou a se apresentar ainda na adolescência, cantando em feiras e reuniões comunitárias. Na juventude, mudou-se para Kingston em busca de oportunidades e, aos 20 anos, assinou contrato com a lendária Island Records, responsável também por lançar nomes como Bob Marley e Toots and the Maytals. Seu primeiro álbum, Hard Road to Travel, foi lançado em 1967 e marcou o início de uma carreira que ajudaria a internacionalizar o reggae.
Ao longo dos anos, tornou-se conhecido mundialmente por faixas como The Harder They Come, Many Rivers to Cross, You Can Get It If You Really Want, Reggae Night e Wonderful World, Beautiful People. Suas músicas carregavam mensagens de resistência, espiritualidade, identidade negra e consciência social, transformando-se em trilha sonora de lutas por liberdade e dignidade em diversos países.
A canção I Can See Clearly Now, gravada por Jimmy Cliff no álbum Higher and Higher (1996), marcou uma nova fase de reconhecimento internacional. Originalmente lançada por Johnny Nash em 1972, a música ganhou voz definitiva na interpretação de Cliff e alcançou uma geração completamente diferente ao integrar a trilha sonora do filme Cool Runnings – Jamaica Abaixo de Zero (1993). A versão se tornou uma das mais populares de sua carreira, reafirmando sua capacidade de atravessar décadas e dialogar com novos públicos.
Ligação afetiva e artística com o Brasil
Jimmy Cliff manteve uma relação intensa com o Brasil ao longo de sua carreira. Em 1968, participou do Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, onde apresentou a música Waterfall. No ano seguinte, compôs em território brasileiro Wonderful World, Beautiful People, uma das primeiras faixas de reggae a alcançar as paradas dos Estados Unidos.
Em 1969, lançou o álbum Jimmy Cliff in Brazil, cujo encarte o retrata na Praia de Botafogo. Durante os anos 1980, retornou diversas vezes ao país, realizando turnês de sucesso ao lado de artistas brasileiros, como Gilberto Gil. Em um dos shows dessa parceria, recebeu a notícia da morte do pai momentos antes de subir ao palco, mas decidiu seguir com a apresentação, movido pela energia do público.
Na mesma década, gravou no Rio de Janeiro o clipe de We All Are One, dirigido por Tizuka Yamasaki, e teve a canção Hot Shot incluída na trilha sonora da novela Titi Ti, exibida pela TV Globo. Em 1986, seu álbum Cliff Hanger venceu o Grammy na categoria de melhor disco de reggae.
Nos anos 1990, sua trajetória voltou a dialogar com a música brasileira quando participou do álbum Acústico MTV dos Titãs, cantando The Harder They Come, que ganhou versão em português interpretada também pela banda e pelo grupo Cidade Negra.
Sua conexão com o Brasil também é pessoal. Sua filha, a atriz e cantora Nabiyah Be, nasceu em Salvador, em 1992, fruto de sua relação com a psicóloga baiana Sônia Gomes da Silva. Nabiyah viria a ganhar projeção internacional ao atuar no filme Pantera Negra, da Marvel.
Um legado que atravessa gerações

Jimmy Cliff não foi apenas um cantor de sucesso. Ele foi um narrador de histórias de seu povo, um porta-voz da diáspora africana e uma referência artística para movimentos culturais negros ao redor do mundo. Sua obra influenciou não só músicos de reggae, mas artistas do pop, do hip hop e da música brasileira.
Sua morte marca o fim de uma era, mas suas canções permanecem vivas como hinos de resistência, amor, fé e esperança. Jimmy Cliff deixa uma herança que não cabe apenas nos discos, nos prêmios ou nos filmes, ela ecoa nas ruas, nas lutas sociais, nas celebrações culturais e nos corações de milhões de fãs ao redor do planeta.