Morre Hélène de Lüdinghausen, ícone da moda e voz crítica do estilo contemporâneo
Apesar de ter nascido nos arredores da capital francesa, Hélène viveu parte de sua infância no Rio de Janeiro
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 21/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A baronesa Hélène de Lüdinghausen, personalidade marcante da alta-costura e figura central da maison Yves Saint Laurent, faleceu em Paris aos 81 anos.
Descendente da nobre família russa Stroganov, Hélène construiu uma trajetória notável ao longo de mais de três décadas no comando do salão de alta-costura da YSL, tornando-se referência de elegância, rigor estético e dedicação ao legado da moda clássica.
Uma vida entre Paris e o Rio
Apesar de ter nascido nos arredores da capital francesa, foi no Brasil que Hélène viveu parte significativa de sua infância, mais especificamente no Rio de Janeiro.
O sotaque carioca, que manteve mesmo após retornar à Europa, era um traço inconfundível que revelava sua ligação emocional com o país. Amigos e colegas lembram com carinho do afeto que ela nutria pelo Brasil, cultivando laços duradouros com a elite cultural e social do país.
Três décadas de elegância na YSL
Na Yves Saint Laurent, Hélène não foi apenas uma funcionária; ela se tornou uma guardiã da essência da marca. Sob sua liderança, o salão de alta-costura da maison transformou-se em um espaço de excelência e refinamento, frequentado por estrelas, aristocratas e formadores de opinião.
O jornalista Bruno Astuto, referência no universo da moda, expressou seu lamento nas redes sociais e destacou a importância da baronesa: “Ela foi uma diretora lendária… deixou um legado duradouro para todos que tiveram a honra de conhecê-la.”
Além de seu papel na YSL, Hélène era presença constante nos círculos mais sofisticados da sociedade. Foi confidente de personalidades brasileiras como Carmen Mayrink Veiga e foi lembrada pelo designer alemão Lukas Adam como alguém com a rara habilidade de vestir as grandes figuras de sua época com perfeição e sensibilidade.
Uma crítica feroz ao estilo moderno
Hélène também era conhecida por sua postura crítica em relação à evolução da moda. Em uma entrevista concedida à colunista Hildegard Angel em 2011, ela não hesitou em apontar o que considerava uma crise estética contemporânea.
“Não existe moda atualmente”, declarou com firmeza. Para ela, o conforto excessivo e a informalidade do vestir moderno empobreciam o conceito clássico de elegância: “As pessoas se vestem confortáveis demais, não se arrumam, não se maquiam e andam com o cabelo desarrumado.”
Um adeus com perfume de história
A morte de Hélène de Lüdinghausen representa não apenas a perda de uma figura admirada, mas o fim simbólico de uma era em que a alta-costura era regida por códigos de sofisticação, disciplina e arte.
Sua trajetória deixa uma memória que ecoa entre costureiros, modelos e amantes da moda que ainda veem no vestir um ato de expressão e respeito à tradição.