Morre Constantino Júnior, fundador da Gol, aos 57 anos em SP
Vítima de câncer, Constantino Júnior foi o mentor do modelo "low cost" no Brasil
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 24/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
O setor empresarial brasileiro amanheceu em luto neste sábado (24) com a notícia do falecimento de Constantino Júnior, fundador e presidente do conselho de administração da Gol Linhas Aéreas. Aos 57 anos, o executivo não resistiu às complicações de um câncer que vinha tratando nos últimos meses. Conhecido por sua visão estratégica e estilo discreto, Júnior foi o principal responsável por democratizar o transporte aéreo no Brasil a partir do início dos anos 2000.
Em nota oficial, a Gol lamentou profundamente a perda de seu mentor. “Sua liderança, sua visão estratégica e, sobretudo, seu jeito simples, humano e próximo deixaram marcas profundas. Os princípios estabelecidos por Constantino Júnior fizeram a companhia crescer e hoje integrar um grupo internacional”, afirmou a empresa, reconhecendo o impacto indelével de seu fundador na cultura organizacional.
A trajetória de Constantino Júnior: do transporte terrestre aos céus
A veia empreendedora de Constantino Júnior foi herdada de seu pai, Nenê Constantino, que construiu o império do Grupo Áurea (hoje com a maior frota de ônibus da América Latina). Antes de alçar voo com a Gol, Júnior atuou entre 1994 e 2000 como diretor da Comporte Participações. No entanto, foi a partir de uma conversa visionária entre seu pai e consultores de transporte, no final da década de 90, que surgiu a ideia de criar uma companhia aérea do zero em vez de adquirir empresas em crise, como a então combalida Transbrasil.
Em 15 de janeiro de 2001, sob o comando de Constantino Júnior, a Gol estreou no mercado com seis aeronaves e um modelo de negócios inédito no país: o low cost, low fare (baixo custo, baixa tarifa). Inspirado pela americana Southwest e pela europeia easyJet, ele aplicou na aviação lições valiosas do setor de ônibus, como a unificação da frota para reduzir custos de manutenção e o foco absoluto nas vendas diretas pela internet.
Liderança resiliente e paixão pelas pistas
Diferente de seus concorrentes da época, que buscavam o estrelato na mídia, Constantino Júnior sempre optou pela reserva. Descrito por colaboradores próximos como um executivo de trato polido e tom de voz pausado, ele demonstrou sua maior resiliência durante a crise do voo 1907, em 2006. O episódio, que feriu sua “alma” de gestor focado em segurança e modernidade, marcou um dos momentos mais difíceis de sua carreira à frente da presidência executiva, cargo que ocupou até 2012.
Fora das salas de reunião, o nome de Constantino Júnior era figura carimbada nos autódromos. Aficionado por velocidade, ele foi um talentoso piloto de competição.
- Fórmula 3: Foi vice-campeão sul-americano em 1993.
- Fórmula 3000: Correu na Inglaterra ao lado de nomes como David Coulthard.
- Porsche Cup: Sagrou-se campeão, demonstrando que o controle e a precisão exigidos nos cockpits eram os mesmos que aplicava na gestão da Gol.
O legado do modelo que transformou o Brasil
A gestão de Constantino Júnior na Gol não apenas criou uma empresa bem-sucedida, mas forçou todo o mercado nacional a se reinventar. Ao apostar em aeronaves novas e eficientes, ele provou que era possível oferecer passagens baratas sem comprometer a segurança. Sua formação acadêmica no Distrito Federal e a especialização executiva no Japão deram a ele o suporte técnico para transformar uma sala em São Bernardo do Campo no quartel-general da empresa que chacoalhou a aviação comercial brasileira.
Hoje, os pilares estabelecidos por Constantino Júnior continuam vivos na companhia, que se consolidou como um dos maiores players do continente. O empresário deixa a família, amigos e milhares de colaboradores que enxergavam nele o exemplo de que a simplicidade e a inteligência podem, juntas, mudar o rumo de um país.