Morre, aos 91 anos, Hugh Hefner, fundador da revista ‘Playboy’

Publicação se transformou em mais que uma marca, e Hugh Hefner provocou uma revolução sexual no século 20

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A revista “Playboy” informou que seu criador e fundador, Hugh Hefner, morreu na noite desta quarta-feira, 27, de causas naturais. O empresário, que revolucionou a cultura e os símbolos sexuais, tinha 91 anos e estava na casa em que vivia, na Playboy Mansion West, em Los Angeles (EUA).

A primeira publicação da revista foi em 1953, quando não havia espaço para falar sobre sexo nos Estados Unidos e o Estado tinha o direito de proibir métodos contraceptivos. Em plena década de 50, Hefner publicou fotos de Marilyn Monroe nua. Apesar de proibidas para adolescentes, as publicações tornaram-se uma espécie de “bíblia” para os homens. No editorial, um texto apimentado e cheio de humor e sofisticação e o conteúdo trazia fotos e textos picantes – além de entrevistas dinâmicas e profundas com personagens como Fidel Castro, John Lennon, Frank Sinatra, Marlon Brando, o ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter e até mesmo John Lennon, em 1980, pouco antes de ser assassinado.

HEFNER E SUA MARCA
Ao publicar as fotos das ‘coelhinhas’, como são chamadas as modelos e mulheres que posam nuas ou em poses sensuais para a revista, Hefner desafiou as crenças puritanas, e apresentou ao mundo uma nova forma de consumir fotografia e sexo. Desde o primeiro número da revista, a circulação saiu de 200 mil no primeiro ano para mais de 1 milhão em 5 anos.

A publicação expandiu barreiras e se consolidou como uma grande grife tornando-se inseparáveis. A dupla chegou a ser ridicularizada por anos, enquanto eram tratados como vulgares, adolescentes e até anacrônicos. Mas Hefner seguiu a empreitada e conseguiu montar um império, que foi comparado ao de Jay Gastby, personagem criado por Francis Fitzgerald, Citizen Kane, uma ficção de Orson Welles e Walt Disney. Apesar das boas comparações, Hefner preferiu ser uma história independente, e associava sua trajetória a um filme romântico: vestia pijamas de seda, que ele mesmo transformou em uniforme, fumou intermináveis cigarros e era presença e promoter constante de festas cheias de glamour e famosos.

Acusado de machista e opressor, Hefner chegou a afirmar: “as mulheres são as maiores beneficiárias dessa situação criada pela Playboy, que propõe acabar com a hipocrisia em torno do sexo”. “Mas algumas pessoas estão agindo como se a revoluçaõ sexual fosse um prêmio apenas para os homens”.

QUEDA E ADAPTAÇÕES
Apesar da proposta ousada – e bem aceita -, a revista teve seu tapete puxado pela internet, à medida que o acesso a conteúdo sexual ficou fácil e barato.  O consumo do material específico e exclusivo da Playboy caiu muito. Em 2015, para tentar repaginar seu conteúdo e reconquistar leitores, a equipe editorial da revista americana decidiu parar de publicar fotos de nudez.

No Brasil, a franquia da revista optou por não deixar de mostrar as fotos de nudez, e para isso convidava de personalidades do reality shows como Big Brother Brasil a cantoras sem histórico na música. Alguns leitores se posicionaram contra a seleção dos perfis que vinham sendo fotografados e publicados. O colunista do Estado, Marcelo Rubens Paiva, chegou a escrever: “perdemos a Playboy”.

No País, o título esteve sob comando da editora Abril durante 40 anos. Em 2015, após reformulação da Abril, a publicação passou para outras mãos, e revista começou a ser feita pela Playboy Brasil (PBB).

  • Publicado: 28/09/2017
  • Alterado: 28/09/2017
  • Autor: 28/09/2017
  • Fonte: Estadão Conteúdo