Moro acha ‘exagerada’ preocupação com possível loteamento político com Coaf no BC

Moro, afirmou hoje, 3, que considera exagerada a preocupação de que possa haver loteamento político em cargos da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), novo nome do antigo Coaf

Moro acha ‘exagerada’ preocupação com possível loteamento político com Coaf no BC

Crédito:

O órgão recentemente passou a fazer parte da estrutura do Banco Central (BC) e começou a permitir a contratação de profissionais oriundos do setor privado.

“Se fez a opção por permitir que fossem requisitados não só servidores públicos (para reforçar o órgão), mas também receber pessoas do setor privado. Isso gerou preocupações da parte de alguns setores, a meu ver exageradas, de que poderia haver loteamento político. Acho que não necessariamente. Eu tenho vários cargos comissionados de pessoas que vieram do setor privado para o Ministério da Justiça e não significa que serão loteados politicamente”, disse o ministro, em apresentação feita no 9º Congresso de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, organizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

O ministro também argumentou que o BC é uma instituição que tem uma tradição técnica e de eficiência. “Portanto, acho muito difícil que o BC seja permeável a qualquer espécie de loteamento político”, afirmou.

O antigo Coaf ganhou destaque no noticiário quando um relatório do órgão revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo no fim do ano passado apontava movimentações financeiras atípicas feitas por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL), então deputado estadual no Rio de Janeiro e atualmente senador pelo Estado.

O conselho, à época, fazia parte do antigo Ministério da Fazenda que, no governo Bolsonaro, virou Ministério da Economia. Moro afirmou no evento desta terça que no início do governo surgiu a proposta de que o Coaf passasse para o Ministério da Justiça, comandado por ele. A avaliação era de que o órgão estava “relegado”, com um número insuficiente de profissionais e fora do foco do Ministério da Economia, mais preocupado com questões macro e microeconômicas.

Moro reafirmou que a ideia de levar o Coaf para a Justiça não foi motivada por um pedido dele. “Mas como foi oferecido, acreditávamos que poderíamos fazer bom uso”, disse. O conselho, então, passou para o comando de Moro. Segundo ele, foi possível aumentar o número de servidores do órgão, de 30 para 74.

Depois, lembrou o ministro, o Coaf acabou voltando para o Ministério da Economia e, mais recentemente, o governo decidiu transferi-lo para o BC, alterando o seu nome para Unidade de Inteligência Financeira.

“Sinceramente, o Coaf estar na Economia ou BC não faz muita diferença. Em ambos os locais eu acredito que o Coaf está bem. Ficou muito tempo na Fazenda (hoje Economia) e funcionava bem”, disse. “Não que não funcionasse bem na Justiça, até porque nós reforçamos o órgão, mas estará em boas mãos no BC. O presidente do BC (Roberto Campos Neto) tem competência e habilidade para preservar a autonomia, independência e eficiência do órgão”, afirmou.

Moro, ao final de seu comentário sobre o órgão, brincou com a escolha do novo nome. “Eu disse que ao presidente do BC que achei que faltou um pouco de criatividade. O Coaf agora é uma Unidade de Inteligência Financeira. Antes não era? Mas tudo bem, não pode haver disputas em relação a isso”, disse, arrancando algumas risadas da plateia.

  • Publicado: 03/09/2019 14:03
  • Alterado: 03/09/2019 14:03
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo