Moraes mantém suspensão da Lei da Dosimetria no STF
Ministro do Supremo decide aguardar análise do plenário antes de aplicar nova lei da dosimetria que pode reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro, incluindo Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”.
- Publicado: 10/05/2026 13:13
- Alterado: 10/05/2026 13:13
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter suspensa a aplicação da chamada Lei da Dosimetria em processos ligados aos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. A medida também afeta o caso da cabeleireira Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”.
Na decisão, Moraes argumentou que a existência de ações diretas de inconstitucionalidade contra a nova legislação representa um “fato processual relevante”, o que justifica aguardar o julgamento definitivo do plenário do STF antes de aplicar possíveis reduções de pena.
Lei pode beneficiar condenados por tentativa de golpe
A Lei da Dosimetria foi promulgada após o Congresso Nacional derrubar o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto prevê alterações nos critérios de cálculo das penas e pode beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos, inclusive aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As ações que questionam a constitucionalidade da norma foram distribuídas ao próprio Moraes, que também é relator dos processos relacionados à tentativa de golpe e às invasões das sedes dos Três Poderes.
Defesa critica decisão do STF
A defesa de Débora Rodrigues afirmou que a decisão do ministro gera “preocupação jurídica e institucional”. Segundo os advogados, a legislação já está em vigor e deveria produzir efeitos imediatos, principalmente por se tratar de uma norma potencialmente mais benéfica aos condenados.
Em nota, a defesa argumenta que o ordenamento jurídico brasileiro garante a aplicação retroativa de leis penais mais favoráveis aos réus.
Quem é Débora do Batom
Débora Rodrigues ganhou notoriedade após pichar com batom a frase “perdeu, mané” em uma estátua em frente ao STF durante os ataques de 8 de janeiro.
Ela foi condenada a 14 anos de prisão pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, dano ao patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Desde o ano passado, Débora cumpre prisão domiciliar. A defesa também pediu a revogação da medida e a concessão de liberdade plena.