Moraes critica sanções de Trump, fala em traição e crimes com provas

Ministro do STF acusa aliados de Bolsonaro de articulação covarde e diz ter provas de crimes; Barroso e Gilmar Mendes saem em defesa do tribunal

Crédito: Antonio Augusto/STF

O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou forte indignação em relação às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, descrevendo tais ações como “covardes e traiçoeiras“. Esta declaração marca a primeira manifestação pública do magistrado desde que a Casa Branca anunciou as punições.

Em seu pronunciamento, Moraes denunciou uma suposta “traição à pátria“, direcionando suas críticas principalmente ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar teria colaborado com membros do governo americano para enquadrar o ministro na Lei Magnitsky, que prevê restrições financeiras. Embora não tenha mencionado o deputado diretamente, suas palavras foram claras em condenar a ação.

Durante a abertura do novo semestre do Judiciário, Moraes destacou que os responsáveis por tais atos se encontram foragidos fora do Brasil, insinuando que não possuem coragem para permanecer no país. Ele também mencionou “atos hostis e mentirosos“, afirmando ter evidências de condutas ilícitas relacionadas a Eduardo Bolsonaro e seus aliados. Vale ressaltar que o STF já investiga a atuação do deputado através de um inquérito em andamento.

A sessão contou com a presença da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. No mesmo dia, o ministro Luís Roberto Barroso também fez uma declaração em defesa de Moraes, reiterando que as ações da corte têm sido fundamentais para a preservação da democracia. Ele ressaltou que o inquérito sobre a tentativa de golpe de 2022 investiga diversos crimes contra o Estado Democrático de Direito e é conduzido com total transparência.

Barroso enfatizou que a independência e imparcialidade são marcas distintivas do Judiciário brasileiro, garantindo que todos os réus serão julgados com base nas provas apresentadas, sem interferências externas. Esta foi a primeira vez que ele se manifestou no plenário após as sanções anunciadas pelo governo Trump na última quarta-feira (30). Anteriormente, o STF havia divulgado uma nota reafirmando a autonomia da Justiça brasileira.

“Nosso papel é impedir a volta ao passado”, afirmou Barroso, aludindo aos ataques às instituições desde 2019, ano em que Jair Bolsonaro assumiu a presidência. Ele destacou que os processos judiciais estão sendo conduzidos com rigor legal e transparência, acompanhados por advogados e pela imprensa.

No entanto, os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não estavam presentes na sessão. O ministro Gilmar Mendes também comentou sobre as sanções de Trump, ligando-as à pressão exercida por grandes empresas de tecnologia sobre o tribunal. Mendes acusou as chamadas “big techs” de realizarem “lobbies poderosos” para influenciar decisões do STF e do governo brasileiro, afirmando: “Este STF não se dobra a intimidações”.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 01/08/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade